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2 Timóteo 3,16-17 & 1 Coríntios 4, 6 e a Sola Scriptura

Publicado: 31 de janeiro de 2011 por Rafasoftwares em Bíblia

  

Sendo a Sola Scriptura uma doutrina que já se torna auto-refutável por não haver na Bíblia nenhum versículo que a prove, seus adeptos hoje tentam usar-se de malabarismos exegéticos para poder explicá-la. Negando assim a tradição oral, que é ensinada pela própria bíblia, colocando o valor desta como inútil para o Cristão.

Também tentam fazer uma exegese barata das palavras de Paulo, (II Tes. 2,14; II Tes 3,6) Dizendo que tal Tradição Oral que Paulo fala nada mais é que o próprio conteúdo da bíblia, ora Paulo fala claramente “tradições que aprendestes, ou por nossas palavras, ou por nossa carta”, será que é difícil entender? Paulo iria colocar o que falou e o que escreveu em pé de Igualdade? Não poderia ele simplesmente falar de um só já que são os mesmos, ele precisaria especificar diferenças?

Esquecem que os próprios apóstolos disseram que nem tudo foi escrito ( João 21,25 ) e que houve outras doutrinas que não foram passadas por escrito e simplesmente por viva voz ( 2 João 1,12; 3 João 1,13-14 ), bem, feito essas considerações vamos nos ater agora ao título da matéria:

Eles ( adeptos da Sola Scriptura) comumente citam versículos tais como 2 Tm 3,16-17 ou 1 Cor 4, 6 ( como mais fortes ) em sua defesa , mas um exame minucioso destas duas passagens facilmente irá demonstrar que na verdade estes não suportam tal doutrina.

Em 2 Tm 3,16-17 lemos: Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, refutar, corrigir, educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, qualificado para qualquer boa obra.

Existem aqui cinco considerações que enfraquecem a interpretação protestante desta passagem:

  1. A palavra grega ophelimus utilizado no v.16 significa útil e não suficiente. Um exemplo desta diferença seria dizer que a água é útil para nossa existência – mesmo necessária – mas não é suficiente; isto é, ela não é o único componente que nos manteria vivos. Também precisamos de alimentos, medicamentos, etc. Da mesma forma, a Escritura é útil na vida do cristão, mas isto nunca quis dizer que ela é a única fonte de ensino cristão e a única coisa que cada o necessita.
  2. A palavra grega pasa, que geralmente é traduzida como toda, na realidade significa qualquer, e seu sentido se refere a cada uma ou qualquer uma das classes denotadas pelo substantivo a que está conectado. Em outras palavras, a forma grega indica que toda e qualquer Escritura é útil. Se a doutrina da Sola Scriptura fosse verdadeira, baseada no verso grego 16, todo e qualquer livro da Bíblia poderia, isoladamente, ser considerado a única regra de fé, uma posição que é obviamente absurda.
  3. A Escritura a que Paulo se refere é o Antigo Testamento, um fato que é claramente referido pelo fato de as Escrituras serem conhecidas desde a tenra infância (v.15) por Timóteo. O Novo Testamento como conhecemos ainda nem mesmo existia, ou na melhor das hipóteses estava incompleto, então não poderia estar incluído no que Paulo quis dizer com o termo Escritura. Se aceitarmos as palavras de Paulo sem analisarmos o que realmente significam, a Sola Scriptura, então, significaria que a única regra de fé do cristão é o Antigo Testamento. Esta é uma conclusão que todos os cristãos rejeitariam. Os protestantes responderiam a este argumento dizendo que Paulo não está tratando do cânon da Bíblia (os livros inspirados que constituem a Bíblia), mas sim da natureza da Escritura. Ainda que haja alguma validade nesta afirmação, a questão do cânon também é relevante aqui, pelas seguintes razões: antes que falemos da natureza das Escrituras como sendo theopneustos, ou seja, inspirados (literalmente “soprados por Deus”), é imperativo que identifiquemos com segurança os livros que queremos listar como Escritura; de outra forma, livros errados poderia ser chamados de inspirados. Obviamente, as palavras de São Paulo aqui tomaram uma nova dimensão quando o Novo Testamento foi completado, e os cristãos eventualmente as consideravam, também, como sendo Escritura. Deve ser dito, então, que o cânon bíblico também entra na questão, pois Paulo – escrevendo sob a inspiração do Espírito Santo – enfatiza o fato de que toda (e não somente alguma) Escritura é inspirada. A questão que deve ser discutida, entretanto, é esta: como podemos ter a certeza de que temos todos os livros corretos? Obviamente, somente poderemos conhecer a resposta se soubermos qual é o cânon da Bíblia. Tal questão guarda um problema para os protestantes, mas não para os católicos, pois estes possuem uma autoridade infalível que pode responder.
  4. A palavra grega artios, aqui traduzida como perfeito, à primeira vista pode fazer crer que a Escritura é de fato tudo o que é necessário. “Logo”, alguém poderia perguntar:

“se as Escrituras tornam o homem de Deus perfeito, que mais seria preciso? Por acaso a palavra ‘perfeito’ não significa que nada mais é necessário?”

Bem, a dificuldade com esta interpretação é que o texto não diz que somente pelos meios da Escritura o homem de Deus é tornado perfeito. O texto indica precisamente o oposto, pois é verdadeiro que a Escritura opera em conjunção com outras coisas. Note que não é qualquer um que se torna perfeito, mas o homem de Deus – que significa um ministro de Deus (cf. 1 Tm 6,11), um sacerdote. O fato deste indivíduo ser um ministro de Cristo pressupõe que ele já estava acompanhando um estudo que o prepararia para exercer tal ofício. Sendo assim, a Escritura poderia ser mais um instrumento dentro de uma série de outros que tornam o homem de Deus perfeito. As Escrituras poderiam complementar sua lista de itens necessários ou poderiam ser o item mais proeminente da lista, mas seguramente não eram a única ferramenta de sua lista nem pretendia ser tudo o que necessitaria. Por analogia, considere um médico. Neste contexto, poderíamos dizer algo como “O Tratado de Medicina Interna do Harrison (livro texto de referência na prática médica mundial) torna nossa prática médica perfeita, logo estamos aptos a qualquer procedimento médico”. Obviamente tal afirmativa não pode significar que tudo o que o médico precisa seja o TMIH. Este é um item entre vários outros, ou o mais proeminente. O médico também necessita de um estetoscópio, um tensiômetro, um otoscópio, um oftalmoscópio, técnicas cirúrgicas, etc. Estes outros itens são pressupostos pelo fato de estarmos falando de um médico, e não de um leigo. Logo, seria incorreto presumir que somente o TMIH torna o médico perfeito, a única ferramenta necessária.

Além disso, considerar que a palavra perfeito significa o único item necessário resulta em contradição bíblica, pois em Tg 1,4 lemos que a paciência – sem citar as Escrituras – torna os homens perfeitos e íntegros, livres de todo defeito. É verdade que aqui uma palavra grega diferente – teleios – é usada para perfeitos, mas permanece o fato de que o entendimento básico é o mesmo. Então, se alguém certamente entende que a paciência não é a única ferramenta que o cristão precisa para ser perfeito, um método interpretativo consistente levaria-nos a reconhecer da mesma forma que as Escrituras não são a única coisa que o homem de Deus necessita para ser perfeito.

  1. A palavra grega exartio no v.17, traduzida por qualificado (outras Bíblias trazem algo como equipado ou plenamente qualificado) é tida como uma prova pelos protestantes da Sola Scriptura pois esta palavra – novamente – implica em dizer que nada mais é necessário ao homem de Deus. Contudo, ainda que o homem de Deus seja qualificado ou plenamente equipado, este fato por si mesmo não garante que este homem saiba interpretar e aplicar corretamente uma passagem bíblica. O sacerdote deve também aprender como usar corretamente as Escrituras, mesmo que ele já esteja equipado com elas. Considere de novo a analogia do médico. Pense num estudante de medicina no início de seu internato. Ele deve dispor de todo seu arsenal necessário para os procedimentos cirúrgicos, ou seja, ele deve estar qualificado, plenamente equipado para qualquer procedimento de emergência, mas a menos que ele passe boa parte do tempo junto a médicos mais experientes, observe suas técnicas, aprenda suas habilidades, e pratique algum procedimento ele próprio, os instrumentos cirúrgicos que possui são completamente inúteis. Sem dúvida, se não aprender a usar tais instrumentos apropriadamente, estes mesmos podem se tornar armas perigosas em suas mãos. Quem se habilitaria a submeter-se a um cirurgião que aprendeu cirurgias por cursos de correspondência?

Da mesma forma ocorre entre o homem de Deus e a Escritura. Estas, como os instrumentos cirúrgicos, são preciosos apenas quando bem manipulados. Do contrário, os resultados são o oposto do esperado. Mal usados, um pode trazer a dor e a morte física, a outra, a dor e a morte espiritual. Devido a Escritura nos advertir a mantermos a retidão da palavra da verdade ( cf. 2 Tm 2,15), é óbvio, portanto, que a palavra da verdade pode ser desviada de seu correto caminho – da mesma forma que um estudante de medicina destreinado que usa incorretamente seu instrumental. ¹

Em 1 Coríntios 4, 6 lemos: “E eu, irmãos, apliquei estas coisas, por semelhança, a mim e a Apolo, por amor de vós; para que em nós aprendais a não ir além do que está escrito, não vos ensoberbecendo a favor de um contra outro.” ( Tradução João Almeida )

Partindo do pressuposto do versículo Isolado do contexto este seria um prato cheio para os seguidores da Sola Scriptura, assim como para um ateu que poderia usar Salmo 9, 24 pra provar na bíblia que “Deus não Existe”.

Está passagem é uma passagem de tradução muito difícil, que não se consegui achar palavra por palavra indo direto ao original, sendo assim só por isso já não poderíamos extrair definitivamente uma doutrina desta passagem.

Na bíblia Jerusalém a melhor tradução das Sagradas escrituras que temos em português está escrito:

“Nisto Tudo Irmãos, eu me tornei como exemplo juntamente com Apolo por causa de vós, a fim de que aprendais a nosso respeito a Máxima, (‘não ir além do que está escrito’) ”.

Nas notas de Rodapé vem explicando que:

“Texto difícil. A frase entre parêntese foi acrescentada por copista escrupuloso que indica a negação foi acrescentada a seu texto.”

Ou seja pode se extrair uma doutrina de um texto que há variações nos manuscritos antigos sem uma devida autoridade para confirmá-los?

Este comentário acima fizemos isolando o texto do contexto, agora vamos mostrar o contexto e com as Palavras de São João Crisostomo um dos Pais da Igreja teólogos dos Primeiros séculos na sua Homilia XII Especialmente sobre 1 Coríntios 4, 6 a real interpretação deste texto.

Quem já leu e sabe a problemática que levou Paulo a escrever tal carta, sabe que os coríntios estavam em contenta, disputas para ver qual era o melhor apostolo que havia evangelizados eles, os julgamentos indevidos, a comunhão com os pagãos e etc.

Em 1 Coríntios 4 diz: 1. Que os homens nos considerem, pois, como simples operários de Cristo e administradores dos mistérios de Deus.2. Ora, o que se exige dos administradores é que sejam fiéis.3. A mim pouco se me dá ser julgado por vós ou por tribunal humano, pois nem eu me julgo a mim mesmo. 4. De nada me acusa a consciência; contudo, nem por isso sou justificado. Meu juiz é o Senhor. 5. Por isso, não julgueis antes do tempo; esperai que venha o Senhor. Ele porá às claras o que se acha escondido nas trevas. Ele manifestará as intenções dos corações. Então cada um receberá de Deus o louvor que merece. 6. Se apliquei tudo isso a mim e a Apolo foi por vossa causa, para que, em nós, aprendais  a não ultrapassar o que está escrito e para que vos não ensoberbeçais tomando partido a favor de um e com prejuízo de outrem.

Veja que Paulo não diz nada a respeito de que os coríntios estavam seguindo algo além das escrituras e conseqüentemente repreende-los por isso. Apenas repreende-os sobre a má conduta deles e os exorta nesse caso a seguirem o que está escrito. Além do mais se Paulo estivesse se referindo a seguir somente as escrituras cairia novamente no mesmo sentido da primeira passagem analisada, estaria se referindo ao antigo testamento e não ao novo testamento visto que o NT ainda não estava escrito. O que ele fala que estava escrito provavelmente seja o conteúdo de uma carta anterior que ele escreveu comunidade que ele vai revelar no capítulo 5:

“Na minha carta vos escrevi que não tivésseis familiaridade com os impudicos. Porém, não me referia de um modo absoluto a todos os impudicos deste mundo, os avarentos, os ladrões ou os idólatras, pois neste caso deveríeis sair deste mundo.” ( 1 Cor 5, 9-10 )

Onde está esta carta? E o conteúdo dela? Por que ela não foi considerada um livro inspirado? É uma carta chamada de “pré canônica” que não foi conservada, e logo após essa depois de Paulo ter recebido a noticia na casa de Cloé (1 Cor 1, 11) resolveu escrever esta outra carta que para nós é 1ª Coríntios.

Agora vamos deixar São João Crisostomo (+ 407 d.C) explicar melhor o que Paulo quer dizer com “Não ir além do que está escrito”:

“Mas qual é o significado de “não ser sábio acima do que está escrito?” Está escrito (St. Matt. Vii. 3.) “Por que vês tu o argueiro que está no olho do teu irmão, porém não o feixe que está no teu olho?” e “Não julgueis, para que não sejais julgados”. Porque, se nós somos um e são mutuamente unidos, não nos convém levantar-se um contra o outro. Para “aquele que se humilha será exaltado”, diz ele. E (. St. Matt xx 26, 27;. São Marcos x 43;. Não literalmente) “Aquele que será o primeiro de todos, que ele seja o servo de todos”. Estas são as coisas que “são escritas.””  (Crisostomo, XII Homilia sobre 1 Coríntios)

Veja que há uma variação nas palavras de São João Crisostomo em relação a esta passagem que também é uma tradução válida “não ser sábio além do que está escrito” por causa de variações nos manuscritos (Koiné e Bizantino) que contém uma palavra ( phronein ) que ao pé da letra é traduzida como “saber, pensar, tem uma opinião” no particípio passado. Existe melhor interpretação bíblica do que dos primeiros Cristãos?

Portanto mais uma vez provado que a Sola Scriptura não tem base sólida em si mesma, parte de uma autoridade Extra-bíblica, tornando-a auto refutável.

In Cord Jesu, Semper,

Rafael Rodrigues

Referencias e fonte utilizada:

¹ Charles the Hammer, Traditional Catholic Apologetics, Tradução: Carlos Martins Nabeto.

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A Igreja Católica proibiu a leitura da Bíblia?

Publicado: 10 de setembro de 2010 por Rafasoftwares em Bíblia

Os protestantes serviram-se de um suposto impedimento da leitura do Texto-Sacro para advogar o Livre-Exame da Bíblia. Mas… alguma vez a Igreja romana proibiu a leitura do Texto Sacro? Abaixo, apresento trechos de um estudo de Dom Estevão Bittencourt nos ilustra profusamente a respeito do tema.

Até o século XVI

Por toda a Antigüidade o Livro Sagrado era recomendado à leitura dos cristãos. São Jerônimo (+420) é um dos mestres que melhor representam esta atitude pastoral, escrevendo a Eustóquio, filha de Santa Paula:

“Lê com freqüência e aprende o melhor que possas. Que o sono te encontre com o livro nas mãos e que a página sagrada acolha o teu rosto vencido pelo sono” (PL 22,404).

Na Idade Média apareceram correntes dualistas e heréticas que se valiam da Bíblia para apoiar suas concepções errôneas. Tal foi, por exemplo, o caso dos cátaros, avessos à matéria como se esta fosse, por si mesma, má. Em conseqüência, o Concílio de Tolosa (França) em 1229 proibiu o uso de traduções vernáculas da Bíblia. Esta disposição foi retirada pelo Concílio de Tarragona (Espanha) em 1233. A mesma proibição aparece num decreto do rei Jaime I da Espanha em 1235: “Ninguém possua em vernáculo os livros do Antigo e do Novo Testamento”.

No século anterior, os Valdenses (de Pedro Valdo, Pierre de Vaux) apoiavam-se na Bíblia traduzida para o provençal a fim de negar o purgatório, o culto dos Santos, o serviço militar, o juramento…; só admitiam os sacramentos do Batismo, da Penitência e da Eucaristia. (…)

Eis por que o Concílio de Trento (1543-65) tomou medidas que preservassem os fiéis católicos dos males acarretados pelas proposições dos reformadores; assim:

Declarou autêntica (isenta de erros teológicos) a Vulgata latina, tradução devida a São Jerônimo (+420) e muito difundida entre os cristãos. Assim se dissiparia a confusão existente entre clérigos e leigos, que, em meio a múltiplas traduções, já não sabiam encontrar a pura mensagem bíblica. O Concílio não quis afirmar que a tradução da Vulgata é lingüisticamente perfeita, mas tomou uma providência necessária no século XVI;

Rejeitou o princípio do livre exame da Bíblia. Esta só pode ser entendida se iluminada por instâncias objetivas, especialmente pela Tradição, que o magistério da Igreja formula com a assistência do Espírito Santo;

Proibiu edições da Bíblia sem o nome do autor responsável pela edição. Proibiu também a difusão do texto bíblico sem a autorização do Bispo diocesano;

Estimulou o reflorescimento dos estudos bíblicos nos colégios, conventos e mosteiros.

O Concílio de Trento definiu mais uma vez o Cânon Bíblico incluindo o deuterocanônicos (Tobias, Judite, Sabedoria, Baruc, Eclesiástico, I e II Macabeus), como já o tinham feito os Concílios do século IV. A prova de que o Concílio nada inovou é que o próprio Lutero traduziu os deuterocanônicos para o alemão; com efeito, na sua edição da Bíblia datada de 1534 encontra-se o texto dos sete deuterocanônicos, assim como os fragmentos de Ester 10,4-16,24, de Daniel 3,24-90; 13,1-14,42 e ainda a “Oração de Manasses” (Oração que a Tradição cristã não incluiu no seu cânon). A persistência desses livros nas edições protestantes bem mostra que não foi o Concílio de Trento que os introduziu no catálogo bíblico, mas Lutero e a Tradição protestante os receberam na Tradição cristã medieval e antiga ou mesmo dos judeus de Alexandria. Foi somente no século XIX que as Sociedades Bíblicas protestantes deixaram de incluir nos seus exemplares da Bíblia os livros deuterocanônicos. (…)

No século XX

Em 1920, o Papa Bento XV quis comemorar o 15º centenário da morte de São Jerônimo publicando a encíclica Spiritus Paraclitus, na qual escreveu:

“Pelo que Nos toca, Veneráveis Irmãos, à imitação de São Jerônimo jamais deixaremos de exortar todos os fiéis cristãos a que leiam todos os dias principalmente os Santos Evangelhos de Nosso Senhor, os Atos e as epístolas dos Apóstolos, tratando de convertê-los em seiva do seu espírito e em sangue de suas veias” (Enquirídio Bíblico nº 477).

Quanto às disposições para bem aproveitar a leitura bíblica, o Pontífice as resumia nestes termos:

“Todo aquele que se aproxima da Bíblia com espírito piedoso, fé firme, ânimo humilde e sincero desejo de aproveitar, nela encontrará e poderá degustar o pão que desce dos céus”.

A atitude de Bento XV representava algo de novo na Igreja posterior ao Concílio de Trento, mas estava na linha de conduta pastoral do Papa anterior, São Pio X. Pouco mais de dois decênios decorridos, o Papa Pio XII, na sua encíclica Divino Afflante Spiritu, recomendava por sua vez a difusão da Bíblia entre os fiéis:

“Os prelados favoreçam e prestem ajuda às piedosas associações cuja finalidade é difundir entre os fiéis os exemplares das Sagradas Letras, principalmente dos Evangelhos, e procurem que nas famílias cristãs se faça ordenada e santamente a leitura diária das mesmas; recomendem eficazmente a Santa Escritura traduzida para as línguas vernáculas com a aprovação da Igreja”

A orientação dos Pontífices foi assumida pelo Concílio do Vaticano II (1962-65), especialmente em sua Constituição Dei Verbum, c.6, que trata da Sagrada Escritura na vida da Igreja: um forte estímulo aí é dado à frequentação cotidiana da Escritura por parte dos fiéis, como também à difusão do texto sagrado em línguas vernáculas:

“Este Sagrado Concílio exorta com ardor e insistência todos os fiéis, mormente os Religiosos, a que aprendam a eminente ciência de Jesus Cristo (Filipenses 3,8) mediante a leitura freqüente das Divinas Escrituras, porque a ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo. Debrucem-se, pois, gostosamente sobre o texto sagrado, quer através da Sagrada Liturgia, rica de palavras divinas, quer pela leitura espiritual, quer por outros meios que se vão espalhando…, com a aprovação e o estímulo dos pastores da Igreja. Lembrem-se, porém, de que a leitura da Sagrada Escritura deve ser acompanhada da oração, para que seja possível o colóquio entre Deus e o homem; com Ele falamos quando rezamos; a Ele ouvimos quando lemos os divinos oráculos.

Compete aos sagrados pastores, depositários da doutrina apostólica, instruir oportunamente os fiéis que lhes foram confiados, no reto uso dos livros divinos, de modo particular do Novo Testamento, e sobretudo nos Evangelhos. E isto por meio de traduções dos textos sagrados, que devem ser acompanhados de notas necessárias e verdadeiramente suficientes para que os filhos da Igreja se familiarizem de modo seguro e útil com a Sagrada Escritura e se embebam do seu Espírito” (nº 25).

Com se vê, não poderia ser mais favorável ao uso da Sagrada Escritura a atitude da Igreja contemporânea. As palavras de São Jerônimo (+420) tornaram-se norma da autoridade eclesiástica. As restrições foram impostas não ao texto latino, mas às traduções vernáculas, em virtude de fatores contingentes; a Igreja, como Mãe e Mestra, sente o dever de zelar pela conservação incólume da fé a Ela entregue por Cristo e ameaçada pelas interpretações pessoais de inovadores da pregação; eis por que lhe pareceu oportuno reservar o uso da Bíblia a pessoas de sólida formação cristã nos séculos em que as heresias pretendiam apoiar no texto sagrado as suas proposições perturbadoras. É, pois, para desejar que os estudiosos entendam os porquês da atitude da Igreja no século XVI-XIX e hoje se sintam convidados a difundir a Sagrada Escritura em comunhão com a Igreja e a Santa Tradição.

Fonte: Veritatis Splendor

Em defesa dos deuterocanonicos

Publicado: 5 de agosto de 2010 por Rafasoftwares em Bíblia

Quando católicos e protestantes falam sobre a Bíblia, os dois grupos atualmente possuem dois livros diferentes

No século 16, os reformadores protestantes removeram uma parte do Antigo Testamento que não era compatível com a sua teologia. Diziam que estes livros não eram inspirados e os chamaram de “apócrifos”.

Os católicos se referem a eles como “deuterocanônicos” (pois foram disputados por alguns autores e sua canonicidade foi estabelecida mais tarde que o resto), enquanto que os demais livros são chamados de “protocanônicos” (sua canonicidade foi estabelecida primeiro).

Seguindo o argumento protestante sobre a integridade da Bíblia, a Igreja Católica reafirmou a inspiração divina dos livros deuterocanônicos no Concílio de Trento em 1546. Fazendo isto, ela reafirmou o que já havia sendo crido desde os tempos primitivos.

Quem organizou o Antigo Testamento?

A Igreja não nega que existem alguns livros que são realmente “apócrifos”. Durante a era da igreja primitiva, existiam manuscritos que supunham ser inspirados, mas não eram. Muitos chegaram até nós, como o “Apocalipse de Pedro” e o “Evangelho de Tomé”, cujas igrejas cristãs rejeitaram como não pertencendo às Escrituras.

Durante o primeiro século, os judeus discordavam sobre a constituição do cânon das Escrituras. De fato, havia muitos “cânons” sendo usados, incluindo livros usados por cristãos. Para combater a disseminação do rito cristão, os rabinos se encontraram na cidade de Jâmnia em 90 d.C. para determinar quais os livros que continham as verdadeiras palavras de Deus. Pronunciaram-se afirmando que muitos livros, incluindo os Evangelhos, eram impróprios para serem considerados Escritura Sagrada. Este cânon também excluiu 7 livros (Baruc, Sirácida, 1 e 2 Macabeus, Tobias, Judite, Sabedoria de Salomão, e algumas porções de Daniel e Esther) que os cristãos consideravam como parte do Antigo Testamento.

O grupo de judeus que estavam em Jâmnia tornou-se o grupo dominante no decorrer da história judaica, e hoje muitos judeus aceitam tal cânon. Entretanto, alguns judeus, como os da Etiópia, seguiam um cânon diferente, e idêntico ao cânon Católico do Antigo Testamento, pois incluíam os sete livros deuterocanônicos (cf. Enciclopédia Judaica, vol 6, p. 1147).

Não é necessário dizer que a Igreja não aderiu ao resultado de Jâmnia. Primeiro, um Concílio judaico após a época de Cristo não guarda ligações com os seguidores de Cristo. Segundo, Jâmnia rejeitou precisamente os documentos que constituíam a base da Igreja Cristã: os Evangelhos e outros documentos do Novo Testamento. Terceiro, rejeitando os deuterocanônicos, Jâmnia rejeitou livros que foram usados por Jesus e os apóstolos  e que estavam contidos na edição da Bíblia que os apóstolos usaram no dia-a-dia: a Septuaginta.

Os apóstolos e os deuterocanônicos

A aceitação pelos cristãos dos deuterocanônicos era lógica porque estes estavam incluídos na Septuaginta, a versão grega do Antigo Testamento que os apóstolos usaram para evangelizar. Dois terços das citações do Antigo Testamento no Novo são oriundos da Septuaginta. Em nenhuma parte os apóstolos falaram aos seus discípulos ou convertidos para evitar estes sete livros ou alguma doutrina contida nele. Assim como os judeus pelo mundo que usam a versão da Septuaginta, os primeiros cristãos aceitaram os livros encontrados nela. Sabiam que os apóstolos não iriam engana-los ou arriscar suas almas colocando falsas Escrituras em suas mãos , especialmente não os avisando contra isto.

Mas os apóstolos não colocaram os deuterocanônicos nas mãos de seus convertidos simplesmente como parte da Septuaginta. Eles regularmente citavam-nos em seus escritos. Por exemplo, Hebreus 11 nos encoraja a imitar os heróis do Antigo Testamento e no Antigo Testamento “mulheres houve, até, que receberam ressuscitados os seus mortos. Alguns foram torturados, rejeitados, não querendo o seu resgate, para alcançarem melhor ressurreição” (Hb 11,35).

Existem alguns exemplos de mulheres recebendo de volta seus mortos pela ressurreição no Antigo Testamento protestante. Você pode achar Elias ressuscitando o filho da viúva de Sarepeta em 1 Reis 17, e você pode achar seu sucessor Eliseu ressuscitando o filho da mulher sunamita em 2 Reis 4, mas uma coisa não se poderá achar em nenhum lugar no Antigo testamento protestante, do começo ao fim, de Gênesis a Malaquias: alguém é torturado e rejeita o seu resgate para alcançarem melhor ressurreição. Querendo achar tal fato, deve procurar no Antigo Testamento da Bíblia católica, justamente nos livros deuterocanônicos que Martinho Lutero retirou de sua Bíblia.

Esta história é encontrada em 2 Mac 7, onde lemos que durante a perseguição dos Macabeus, “Aconteceu também que, tendo sido presos sete irmãos com sua mãe, o rei os queria obrigar a comer carne de porco contra a lei…os outros irmãos exortavam-se mutuamente com sua mãe, a morrerem corajosamente, dizendo: ‘O Senhor Deus vê e consola-se em nós’…Morto deste modo o primeiro, levaram o segundo ao suplício…respondendo na língua dos seus pais, disse: Não! Pelo que este também padeceu os mesmos tormentos que o primeiro. Estando já para dar o último suspiro, disse desta maneira: ‘tu ó malvado, faze-nos perder a vida presente, mas Deus, o Rei do universo, nos ressuscitará para a vida eterna, a nós que morremos, por fidelidade às suas leis‘” (2 Mac 7,1.5-9).

Os filhos morreram um por um, proclamando que eles serão recompensados pela ressurreição. “Entretanto a mãe deles, sobremaneira admirável e digna de memória, vendo morrer os seus sete filhos em um só dia, suportou heroicamente a sua morte, pela esperança que tinha no Senhor. Cheia de nobres sentimentos, exortava, na língua dos seus pais, a cada um deles em particular, dando firmeza… Dizia-lhes: ‘não sei como fostes formados em meu ventre; não fui eu quem vos deu o espírito e a vida, ou que formei os membros do vosso corpo. O criador do mundo, que formou o homem no seu nascimento e deu a origem a todas as coisas, vos tornará a dar o espírito e a vida, por sua misericórdia, em recompensa do quanto agora vos desprezais a vós mesmos, por amor das suas leis‘”, Diz o último irmão, “Não temas este algoz, mas sê digno de teus irmãos, aceita a morte, para que eu te encontre com eles no dia da misericórdia” (2 Mac 7,20-23.29).

Este é uma das referências do Novo Testamento aos deuterocanônicos. Os primeiros cristãs reconheciam amplamente estes livros como Escrituras Sagradas, não somente porque os apóstolos os colocaram em suas mãos, mas porque também se referiram a eles no próprio Novo Testamento, citando o que recordavam como exemplos a serem seguidos.

Os Pais falam

A aceitação dos deuterocanônicos é evidente ao longo da história da Igreja. O historiador protestante J.N.D. Kelly escreve:

Deveria ser observado que o Antigo Testamento admitido como autoridade na Igreja era algo maior e mais compreensivo que o Antigo Testamento protestante…ela sempre incluiu, com alguns graus de reconhecimento, os chamados apócrifos ou deuterocanônicos. A razão para isso é que o Antigo Testamento que passou em primeira instância nas mãos dos cristãos era… a versão grega conhecida como Septuaginta… a maioria das citações nas Escrituras encontradas no Novo Testamento são baseadas nelas preferencialmente do que a versão hebraica… nos primeiros dois séculos… a Igreja parece ter aceitado a todos, ou a maioria destes livros adicionais, como inspirados e trataram-nos sem dúvida como Escritura Sagrada. Citações de Sabedoria, por exemplo, ocorrem em 1 Clemente e Barnabé… Policarpo cita Tobias, e o Didache cita Eclesiástico. Irineu se refere a Sabedoria, a história de Susana, Bel e o dragão (livro de Daniel), e Baruc. O uso dos deuterocanônicos por Tertuliano, Hipólito, Cipriano e Clemente de Alexandria é tão freqüente que referências detalhadas são necessárias” (Doutrina Cristã Antiga, 53-54).

O reconhecimento dos deuterocanônicos como parte da Bíblia dada pessoalmente pelos pais também foi conferida por esses mesmos pais como uma regra, quando se encontravam nos Concílios da Igreja. Os resultados dos Concílios são especialmente úteis porque não representam a visão de uma só pessoa, mas o que fora aceito pelos líderes da Igreja de todas as regiões.

O cânon das Escrituras, Antigo e Novo Testamento, foi fixado definitivamente no Concílio de Roma em 382, sob a autoridade do Papa Damaso I. E foi logo reconhecido por sucessivos Concílios, tanto regionais como gerais. O mesmo cânon foi firmado no Concílio de Hipona em 393 e no de Cartago em 397. O fato destes Concílios não serem “ecumênicos” não rejeita o fato de suas decisões não serem aceitos como baseadas em verdade de fé. Em 405 o Papa Inocêncio I reafirmou o cânon em uma carta ao bispo Exuperius de Toulouse. Outro Concílio de Cartago, este no ano de 419, reafirmou o cânon como os seus predecessores e pediu ao papa Bonifácio que  “confirme este cânon, pois estas são as que recebemos de nossos pais para serem lidos na Igreja”. Todos estes canos formavam a mesma Bíblia católica atual, todos eles incluindo os deuterocanônicos.

Este mesmo cânon foi implicitamente confirmado no sétimo Concílio Ecumênico, o de Nicéia II (787), que aprovou os resultados do Concílio de Cartago de 419, e explicitamente reafirmou nos Concílios Ecumênicos de Florença (1442), Trento (1546), Vaticano I (1870) e Vaticano II (1965).

As acusações protestantes

Os deuterocanônicos mostram doutrinas da Igreja Católica, e por esta razão eles foram retirados do Antigo Testamento por Lutero e colocados como apêndice sem números de páginas! Lutero também retirou livros do Novo Testamento: Hebreus, Tiago, Judas e Apocalipse  e os colocou como apêndice, sem páginas, da mesma forma que os outros. Estes foram mais tarde recolocados de volta no Novo Testamento por outros protestantes, mas os 7 livros do AT foram deixados. Em 1827, o British and Foreign Bible Society retirou também este apêndice, sendo este o motivo pelo qual não são encontrados nas Bíblias protestantes mais contemporâneas, apesar de ainda serem encontradas em traduções protestantes clássicas, como a King James Version.

A razão porque eles foram retirados é que ensinam doutrinas católicas que os protestantes rejeitam. Acima citamos um exemplo onde a carta aos Hebreus nos mostra um exemplo do Antigo Testamento contido em 2 Mac 7, um incidente não encontrado em nenhuma Bíblia protestante, mas facilmente localizada na Bíblia católica. Porque Lutero teria retirado este livro se ele claramente serviu de fonte para aquela parte do Novo Testamento? Simples: alguns capítulos mais adiante o livro apóia a prática da oração às almas dos mortos para que sejam purificados das conseqüências dos seus pecados (2 Mac 12,41-45); em outras palavras, a doutrina católica do purgatório. Desde que Lutero rejeitou o ensino histórico do purgatório (que data de antes de Cristo, como mostra o livro de Macabeus), ele teve que retirar este livro da Bíblia e coloca-lo como apêndice. (Note que ele também retirou Hebreus, o livro que cita 2 Macabeus, e o colocou também como apêndice)

Para justificar esta rejeição a livros que estavam na Bíblia desde tempos antes dos apóstolos (a Septuaginta foi escrita antes dos apóstolos), os primeiros protestantes recorreram ao fato de que os judeus daqueles dias não honraram tais livros, retornando assim ao Concílio de Jâmnia. Mas os reformadores estavam atentos apenas aos judeus europeus; não prestando a devida atenção aos judeus africanos, como os etíopes, que aceitavam os deuterocanônicos como parte de sua Bíblia. Eles censuraram as referências ao deuterocanônicos no Novo Testamento, assim como seu uso da Septuaginta. Ignoraram o fato de que existiam múltiplos cânnos judaicos circulando no primeiro século, apelando a um Concílio judaico pós-cristão que não possuía nenhuma autoridade para com os cristãos para se falar que “os judeus não aceitaram estes livros”. Na verdade, foram longe tentar buscar algo que suportasse a rejeição a estes livros da Bíblia.

Reescrevendo a história da Igreja

Anos mais tarde eles até iniciaram a propagação do mito de que a Igreja Católica “adicionou” estes sete livros à Bíblia no Concílio de Trento.

Os protestantes também tentaram distorcer as evidências patrísticas em favor do deuterocanônicos. Alguns superficialmente afirmam que os Pais da Igreja não os aceitavam, enquanto outros fazem reivindicações comedidas que certos importantes pais, como Jerônimo, também não os aceitava.

É verdade que Jerônimo, e poucos e isoladas escritores, não aceitavam alguns deuterocanônicos como inspirados. Entretanto, Jerônimo fora persuadido, contra sua convicção original, a incluir os deuterocanônicos em sua edição Vulgata pelo fato de que os livros eram comumente aceitos e era esperado que fossem incluídos em todas as edições da Bíblia.

Além do mais, deve ser documentado que em anos mais tarde Jerônimo de fato aceitou certos deuterocanônicos como inspirados. Em sua resposta a Rufino, ele defendeu bravamente as partes deuterocanônicas de Daniel mesmo que os judeus de seu tempo não o fizessem.

Ele escreveu, “Que pecado eu cometi se segui o julgamento da Igreja? Mas ele que traz acusações contra mim por relatar as objeções a que os judeus estavam acostumados a formar contra a história de Susana… e a história de Bel e o dragão, que não se acham nos volumes hebraicos, provam que ele é apenas um bajulador insensato. Eu não estava relatando minha própria visão, mas antes as questões que eles (os judeus) estavam acostumados a fazer contra nós” (Contra Rufinus 11,33 [402 d.C.]). Desta forma Jerônimo reconheceu o princípio pelo qual o cânon foi fixado: o julgamento da Igreja, não dos judeus.

Outros escritores protestantes citam como objeção aos deuterocanônicos, que Atanásio e Orígenes não os aceitavam. Ora, Atanásio aceitava o livro de Baruc (Festal Letter 39) e Orígenes aceitava todos os deuterocanônicos, mas simplesmente recomendava não os usar nos debates com os judeus.

Contudo, apesar de alguns disparates e hesitações de alguns escritores como Jerônimo, a Igreja permaneceu firme em sua afirmação histórica sobre os deuterocanônicos como inspirados e vindos com os apóstolos. O protestante J.N.D. Kelly afirma isto apesar da dúvida de Jerônimo:

Pela grande maioria, porém, os escritos deuterocanônicos atingiram o grau de inspirados com o máximo de senso. Agostinho, por exemplo, cuja influência no ocidente foi decisiva, não fazia distinção entre eles e o resto do Antigo Testamento… a mesma atitude com ao apócrifos foi demosntrada nos Sínodos de Hipona e Cartago em 393 e 397, respectivamente, e também na famosa carta do papa Inocêncio I ao bispo de Toulouse Exuperius, em 405” (Doutrina Cristã Antiga, 55-56).

Este é, portanto, um grande mito pelo qual os protestantes acusam os católciso de terem “adicionado” os deuterocanônicos à Bíblia no Concílio de Trento. Estes livros estavam na Bíblia antes de o cânon pretender ser definido, o que ocorreu só em 380 d.C. tudo o que Trento fez foi reafirmar, em face dos ataques protestantes à Bíblia católica, o que tem sido a histórica Bíblia da Igreja: a edição padrão seria a Vulgata de Jerônimo, incluindo os deuterocanônicos!

Os deuterocanônicos do Novo Testamento

É irônico que os protestantes rejeitem a inclusão dos deuterocanônicos pelos Concílios de Hipona e Cartago, porque nestes Concílios da Igreja antiga também foram definidos os livros do Novo Testamento. Principalemnte pelo ano 300 havia uma ampla discussão sobre quais livros exatamente deveriam pertencer ao Novo Testamento. Alguns livros, como os Evangelhos, Atos e a maioria das cartas de Paulo foram rapidamente aceitos. Contudo alguns livros, mais notavelmente Hebreus, Tiago, 2 Pedro, 2 e 3 João, e Apocalipse permaneceram em ardente disputa até que o cânon foi fixado. São, de fato, “deuterocanônicos do Novo Testamento”.

Enquanto os portestantes aceitam o testemunho dos Concílios de Hipona e Cartago (os Concílios que eles mesmos mais citam) para a canonicidade dos deuterocanônicos do Novo Testamento, não estão dispostos a aceitar o testemunho dos mesmos Concílios para a canonicidade dos deuterocanônicos do Antigo Testamento. Realmente irônico!

Fonte: Veritatis Splendor

Referências dos Deuterocanônicos no novo testamento

Publicado: 17 de junho de 2010 por Rafasoftwares em Bíblia

Segue uma exaustiva lista de referências e alusões dos deuterocanônicos no novo testamento, muitas não se referem diretamente ao texto dos deuterocanônicos, mas usam a mesma linguagem, visto que ambos foram escrito em grego:

• Evangelho segundo Mateus
Mt 4,4 = Deut 8,3;
Mt 4,15 = 1Mc 5,15;
Mt 5,18 = Br 4,1;
Mt 5,28 = Eclo 9,8;
Mt 5,2-4 = Eclo 25,7-12;
Mt 5,4 = Eclo 48,24;
Mt 6,7 = Eclo 7,14;
Mt 6,9 = Eclo 23,1.4;
Mt 6,10 = 1Mc 3,60;
Mt 6,12 = Eclo 28,2;
Mt 6,13 = Eclo 33,1;
Mt 6,20 = Eclo 29,10-11;
Mt 6,23 = Eclo 14,10;
Mt 6,33 = Sb 7,11;
Mt 7,12 = Tb 4,15 / Eclo 31,15;
Mt 7,16 = Eclo 27,6;
Mt 8,11 = Br 4,37;
Mt 8,21 = Tb 4,3;
Mt 9,36 = Jdt 11,19;
Mt 9,38 = 1Mc 12,17;
Mt 10,16 = Eclo 13,17;
Mt 11,14 = Eclo 48,10;
Mt 11,22 = Jdt 16,17;
Mt 11,25 = Tb 7,17 / Eclo 51,1;
Mt 11,28 = Eclo 24,19 / Eclo 51,23;
Mt 11,29 = Eclo 6,24-25 / Eclo 6,28-29 / Eclo 51,26-27;
Mt 12,4 = 2Mc 10,3 ;
Mt 12,5 = Eclo 40,15;
Mt 13,44 = Eclo 20,30-31;
Mt 16,18 = Sb 16,13;
Mt 16,22 = 1Mc 2,21;
Mt 16,27 = Eclo 35,22;
Mt 17,1 = Eclo 48,10;
Mt 18,10 = Tb 12,15;
Mt 20,2 = Tb 5,15;
Mt 22,13 = Sb 17,2;
Mt 23,38 = Tb 14,4;
Mt 24,15 = 1Mc 1,54 / 2Mc 8,17;
Mt 24,16 = 1Mc 2,28;
Mt 25,35 = Tb 4,17;
Mt 25,36 = Eclo 7,32-35;
Mt 26-38 = Eclo 37,2;
Mt 27,24 = Dn 13,46;
Mt 27,43 = Sb 2,13 / Sb 18-20.
• Evangelho segundo Marcos
Mc 1,15 = Tb 14,5;
Mc 4,5 = Eclo 40,15;
Mc 4,11 = Sb 2,22;
Mc 5,34 = Jdt 8,35;
Mc 6,49 = Sb 17,15;
Mc 8,37 = Eclo 26,14;
Mc 9,31 = Eclo 2,18;
Mc 9,48 = Jdt 16,17;
Mc 10,18 = Eclo 4,1;
Mc 14,34 = Eclo 37,2;
Mc 15,29 = Sb 2,17.
• Evangelho segundo Lucas
Lc 1,17 = Eclo 48,10;
Lc 1,19 = Tb 12,15;
Lc 1,19 = Tb 12,15;
Lc 1,42 = Jdt 13,18;
Lc 1,52 = Eclo 10,14;
Lc 2,29 = Tb 11,9;
Lc 2,37 = Jdt 8,6;
Lc 6,35 = Sb 15,1;
Lc 7,22 = Eclo 48,5;
Lc 9,8 = Eclo 48,10;
Lc 10,17 = Tb 7,17;
Lc 10,19 = Eclo 11,19;
Lc 10,21 = Eclo 51,1;
Lc 12,19 = Tb 7,10;
Lc 12,20 = Sb 15,8;
Lc 13,25 = Tb 14,4;
Lc 13,27 = 1Mc 3,6;
Lc 13,29 = Br 4,37;
Lc 14,13 = Tb 2,2;
Lc 15,12 = 1Mc 10,29[30] / Tb 3,17;
Lc 18,7 = Eclo 35,22;
Lc 19,44 = Sb 3,7;
Lc 21,24 = Tb 14,5;
Lc 21,24 = Eclo 28,18;
Lc 21,25 = Sb 5,22;                             Lc 24,4 = 2Mc 3,26;
Lc 24,31 = 2Mc 3,34;
Lc 24,50 = Eclo 50,20-21;
Lc 24,53 = Eclo 50,22-23.
• Evangelho segundo João
Jo 1,3 = Sb 9,1;
Jo 3,8 = Eclo 16,21;
Jo 3,12 = Sb 9,16 / Sb 18,15-16;
Jo 3,13 = Br 3,29;
Jo 3,28 = 1Mc 9,39;
Jo 3,32 = Tb 4,6;
Jo 4,9 = Eclo 50,25-26;
Jo 4,48 = Sb 8,8;
Jo 5,18 = Sb 2,16;
Jo 6,35 = Eclo 24,21;
Jo 7,38 = Eclo 24,40 / Eclo 43,30-31;
Jo 8,44 = Sb 2,24;
Jo 8,53 = Eclo 44,19;
Jo 10,20 = Sb 5,4;
Jo 10,22 = 1Mc 4,59;
Jo 14,15 = Sb 6,18;
Jo 15,9-10 = Sb 3,9;
Jo 17,3 = Sb 15,3;
Jo 20,22 = Sb 15,11.
• Atos dos Apóstolos
At 1,10 = 2Mc 3,26;
At 1,18 = Sb 4,19;
At 2,4 = Eclo 48,12;
At 2,11 = Eclo 36,7;
At 2,39 = Eclo 24,32;
At 4,24 = Jdt 9,12;
At 5,2 = 2Mc 4,32;
At 5,12 = 1Mc 12,6;
At 5,21 = 2Mc 1,10;
At 5,39 = 2Mc 7,19;
At 9,1-29 = 2Mc 3,24-40;
At 9,2 = 1Mc 15,21;
At 9,7 = Sb 18,1;
At 10,2 = Tb 12,8;
At 10,22 = 1Mc 10,25 / 1Mc 11,30.33 etc.;
At 10,26 = Sb 7,1;
At 10,30 = 2Mc 11,8;
At 10,34 = Eclo 35,12-13;
At 10,36 = Sb 6,7 / Sb 8,3 etc.;
At 11,18 = Sb 12,19;
At 12,5 = Jdt 4,9;
At 12,10 = Eclo 19,26;
At 12,23 = Jdt 16,17;
At 12,23 = Eclo 48,21 / 1Mc 7,41 / 2Mc 9,9;
At 13,10 = Eclo 1,30;
At 13,17 = Sb 19,10;

At 14,14 = Jdt 14,16-17;
At 14,15 = Sb 7,3;
At 15,4 = Jdt 8,26;
At 16,14 = 2Mc 1,4;
At 17,23 = Sb 14,20 / Sb 15,17;
At 17,24 = Tb 7,17 / Sb 9,9;
At 17,24-25 = Sb 9,1;
At 17,26 = Sb 7,18;
At 17,27 = Sb 13,6;
At 17,29 = Sb 13,10;
At 17,30 = Eclo 28,7;
At 19,7 = Sb 3,17;
At 19,28 = Dn 14,18.41;
At 20,26 = Dn 13,46;
At 20,32 = Sb 5,5;
At 20,35 = Eclo 4,31;
At 21,26 = 1Mc 3,49;
At 22,9 = Sb 18,1;
At 24,2 = 2Mc 4,6;
At 26,18 = Sb 5,5;
At 26,25 = Jdt 10,13.


• Epístola aos Romanos

Rm 1,19-32 = Sb 13-15;
Rm 1,21 = Sb 13,1;
Rm 1,23 = Sb 11,15 / Sb 12,24;
Rm 1,28 = 2Mc 6,4;
Rm 2,4 = Sb 11,23;
Rm 2,11 = Eclo 35,12-13;
Rm 2,15 = Sb 17,11;
Rm 4,13 = Eclo 44,21;
Rm 4,17 = Eclo 44,19;
Rm 5,5 = Eclo 18,11;
Rm 5,12 = Sb 2,24;
Rm 9,4 = Eclo 44,12 / 2Mc 6,23;
Rm 9,19 = Sb 12,12;
Rm 9,21 = Sb 15,7;
Rm 9,31 = Eclo 27,8 / Sb 2,11;
Rm 10,7 = Sb 16,13;
Rm 10,6 = Br 3,29;
Rm 11,4 = 2Mc 2,4;
Rm 11,15 = Eclo 10,20-21;
Rm 11,33 = Sb 17,1;
Rm 12,15 = Eclo 7,34;
Rm 13,1 = Eclo 4,27;
Rm 13,1 = Sb 6,3-4;
Rm 13,10 = Sb 6,18;
Rm 15,4 = 1Mc 12,9;
Rm 15,8 = Eclo 36,20.
• 1ª Epístola aos Coríntios
1Cor 1,24 = Sb 7,24-25;
1Cor 2,9 = Eclo 1,10;

1Cor 2,16 = Sb 9,13;
1Cor 4,13 = Tb 5,19;
1Cor 4,14 = Sb 11,10;
1Cor 6,2 = Sb 3,8;
1Cor 6,12 = Eclo 37,28;
1Cor 6,13 = Eclo 36,18;
1Cor 6,18 = Eclo 23,17;
1Cor 7,19 = Eclo 32,23;
1Cor 9,19 = Eclo 6,19;
1Cor 9,25 = Sb 4,2;
1Cor 10,1 = Sb 19,7-8;
1Cor 10,20 = Br 4,7;
1Cor 10,23 = Eclo 37,28;
1Cor 11,7 = Eclo 17,3 / Sb 2,23;
1Cor 11,24 = Sb 16,6;
1Cor 15,29 = 2Mc 12,43-44;
1Cor 15,32 = Sb 2,5-6;
1Cor 15,34 = Sb 13,1.
• 2º Epístola aos Coríntios
2Cor 5,1.4 = Sb 9,15;
2Cor 12,12 = Sb 10,16.
• Epístola aos Gálatas
Gl 2,6 = Eclo 35,13;
Gl 4,4 = Tb 14,5;
Gl 6,1 = Sb 17,17.
• Epístola aos Efésios
Ef 1,6 = Eclo 45,1 / Eclo 46,13;
Ef 1,17 = Sb 7,7;
Ef 4,14 = Eclo 5,9;
Ef 4,24 = Sb 9,3;
Ef 6,12 = Sb 5,17;
Ef 6,14 = Sb 5,18;
Ef 6,16 = Sb 5,19.21.
• Epístola aos Filipenses
Fl 4,5 = Sb 2,19;
Fl 4,13 = Sb 7,23;
Fl 4,18 = Eclo 35,6.
• Epístola aos Colossenses
Cl 2,3 = Eclo 1,24-25.
• 1ª Epístola aos Tessalonicenses
1Ts 3,11 = Jdt 12,8;
1Ts 4,6 = Eclo 5,3;
1Ts 4,13 = Sb 3,18;
1Ts 5,1 = Sb 8,8;
1Ts 5,2 = Sb 18,14-15;
1Ts 5,3 = Sb 17,14;
1Ts 5,8 = Sb 5,18.
• 2ª Epístola aos Tessalonicenses
2Ts 2,1 = 2Mc 2,7.
• 1ª Epístola a Timóteo

1Tm 1,17 = Tb 13,7.11;

1Tm 2,2 = 2Mc 3,11 / Br 1,11-12;
1Tm 6,15 = Eclo 46,5 / 2Mc 12,15 / 2Mc 13,4.


• 2ª Epístola a Timóteo

2Tm 2,19 = Eclo 17,26 / Eclo 23,10 (vl) / Eclo 35,3;
2Tm 4,8 = Sb 5,16;
2Tm 4,17 = 1Mc 2,60.
• Epístola a Tito
Tt 2,11 = 2Mc 3,30;
Tt 3,4 = Sb 1,6.
• Epístola aos Hebreus
Hb 1,3 = Sb 7,25-26;
Hb 2,5 = Eclo 17,17;
Hb 4,12 = Sb 18,15-16 / Sb 7,22-30;
Hb 5,6 = 1Mc 14,41;
Hb 7,22 = Eclo 29,14-16;
Hb 11,5 = Eclo 44,16 / Sb 4,10;
Hb 11,6 = Sb 10,17;
Hb 11,10 = Sb 13,1 / 2Mc 4,1;
Hb 11,17 = 1Mc 2,52 / Eclo 44,20;
Hb 11,27 = Eclo 2,2;
Hb 11,28 = Sb 18,25;
Hb 11,35 = 2Mc 6,18-7,42;
Hb 12,4 = 2Mc 13,14;
Hb 12,9 = 2Mc 3,24;
Hb 12,12 = Eclo 25,23;
Hb 12,17 = Sb 12,10;
Hb 12,21 = 1Mc 13,2;
Hb 13,7 = Eclo 33,19 / Sb 2,17.
• Epístola de Tiago
Tg 1,1 = 2Mc 1,27;
Tg 1,2 = Eclo 2,1 / Sb 3,4-5;
Tg 1,13 = Eclo 15,11-20;
Tg 1,19 = Eclo 5,11;
Tg 1,21 = Eclo 3,17;
Tg 2,13 = Tb 4,10;
Tg 2,23 = Sb 7,27;
Tg 3,2 = Eclo 14,1;
Tg 3,6 = Eclo 5,13;
Tg 3,9 = Eclo 23,1.4;
Tg 3,10 = Eclo 5,13 / Eclo 28,12;
Tg 3,13 = Eclo 3,17;
Tg 4,2 = 1Mc 8,16;
Tg 4,11 = Sb 1,11;
Tg 5,3 = Jdt 16,17 / Eclo 29,10;
Tg 5,4 = Tb 4,14;
Tg 5,6 = Sb 2,10 / Sb 2,12 / Sb 2,19.
• 1ª Epístola de Pedro
1Pd 1,3 = Eclo 16,12;
1Pd 1,7 = Eclo 2,5;
1Pd 2,25 = Sb 1,6;

1Pd 4,19 = 2Mc 1,24 etc.;
1Pd 5,7 = Sb 12,13.
• 2ª Epístola de Pedro
2Pd 2,2 = Sb 5,6;
2Pd 2,7 = Sb 10,6;
2Pd 3,9 = Eclo 35,19;
2Pd 3,18 = Eclo 18,10.
• 1ª Epístola de João
1Jo 5,21 = Br 5,72.
• Epístola de Judas
Jd 1,13 = Sb 14,1.
• Livro do Apocalipse
Ap 1,18 = Eclo 18,1;
Ap 2,10 = 2Mc 13,14;
Ap 2,12 = Sb 18,16[15];
Ap 2,17 = 2Mc 2,4-8;
Ap 4,11 = Eclo 18,1 / Sb 1,14;
Ap 5,7 = Eclo 1,8;
Ap 7,9 = 2Mc 10,7;
Ap 8,1 = Sb 18,14;
Ap 8,2 = Tb 12,15;
Ap 8,3 = Tb 12,12;
Ap 8,7 = Eclo 39,29 / Sb 16,22;
Ap 9,3 = Sb 16,9;
Ap 9,4 = Eclo 44,18 etc.;
Ap 11,19 = 2Mc 2,4-8;
Ap 17,14 = 2Mc 13,4;
Ap 18,2 = Br 4,35;
Ap 19,1 = Tb 13,18;
Ap 19,11 = 2Mc 3,25 / 2Mc 11,8;
Ap 19,16 = 2Mc 13,4;
Ap 20,12-13 = Eclo 16,12;
Ap 21,19-20 = Tb 13,17.

Uma análise sobre os Deuterocanônicos

Publicado: 17 de junho de 2010 por Rafasoftwares em Bíblia

Muitos protestantes através de livros, folhetos e sítios na Internet, procuram defender sua posição contra os livros deuterocanônicos do AT, afirmando que estes livros contêm heresias. Segundo eles, estes livros (que eles chamam de apócrifos) não são livros canônicos porque ensinam as seguintes heresias:

1. Perdão do pecado mediante esmolas: Dizem que Tobias 12,9; 4,10; Eclesiástico 3,33 e 2 Macabeus 43-47 ensinam que as esmolas apagam os pecados, negando então a redenção do sacrifício de Cristo e por isso não podem ser considerados canônicos. Primeiro estas referências são do AT, portanto não podem ter qualquer relação com o sacrifício de Cristo. Segundo, elas estão em plena conformidade com o AT, que ensina que o bem feito ao próximo será considerado em nosso julgamento. Este é o princípio das esmolas. E esta mesma doutrina se encontra em Prov 10, 12, por exemplo. Será que o Livro dos Provérbios não é canônico também? Em terceiro lugar, esta mesma doutrina é confirmada no NT, basta verificar Mc 9,41; Lc 11,41. Jesus confirma até mesmo o valor da esmola juntamente com outras formas de piedade (cf. Mt 6,2-18).
veja também 1 Pd 4,8; At. 10,3-4; 10,31.
2. A vingança e a prática do ódio contra os inimigos: Dizem que isto está em Eclo 12,6 e Judite 9,4 e contradiz ferozmente Mt 5,44-48. Mais uma vez Eclo diz respeito ao AT, onde valia a lei do retalião. Se o Livro do Eclesiástico não é canônico por esta razão, também não são Êxodo, Deuteronômio e Levítico, veja Ex 21,24; Lv 24,20; Dt 19,19-21. 1
3. Prática do suicídio: Dizem que o ensino sobre a prática do suicido está em 2 Macabeus 14,41-42. Entretanto em Jz 16,28.30 Sansão se suicida e sua morte é tida como grandiosa pelo autor do Livro de Juízes. A Bíblia possui diversos casos de suicídio – principalmente entre guerreiros -basta ver: Jz 9,54; 16,28-29; 1Sm 31,4-5; 2Sm 17,23; 1Rs 16,18.
4. Ensino de artes mágicas: Dizem que Tobias 6,8-9 favorece a prática de artes mágicas. Ora, em Tobias 8,3 vemos que não é Tobias quem expulsa o demônio, mas sim o Anjo Rafael. O interesse era ocultar a ação do Anjo para Tobias. Em Jo 9,6 vemos que Jesus reconstituiu os olhos de um cego com saliva e logo em Tg 5,14 há instruções para usar óleo na cura de enfermos; será que por isso estes livros também deixaram de ser canônicos?
5. Prática da mentira: Dizem que Judite 11,13-17 e Tob 5,15-­19 favorecem a prática de mentiras. Abrão disse ao rei Abimelec que Sara era sua irmã, e na verdade era sua esposa (Gn 20,2). Jacó, auxiliado pela mãe, mente ao pai cego, dizendo que era o filho mais velho e no entanto era o mais novo (cf. Gn 27,19), além de também enganar o sogro (d. Gn 31,20). Será que o livro de Gênesis também não é canônico?
6. Erros históricos e cronológicos: Dizem ainda que os livros de Baruc e Judite são cheios de contradições em relação aos protocanônicos do AT. Devemos nos lembrar que a Sagrada Escritura não é um livro histórico ou geográfico, nela Deus através das limitações humanas comunicou seus desígnios. Veja que II Reis 8,26 se contradiz com II Cro 22,2; II Reis 23,8 também se contradiz com I Cro 11,11. Isto também faz deles livros não canônicos?

Há citações dos deuterocanônicos do AT no NT?

Um grande motivo de disputa entre católicos e protestantes em relação ao Cânon Bíblico diz respeito a um conjunto de sete livros disponíveis na Septuaginta, além de acréscimos nos Livros de Daniel e Ester; e que se encontram no AT católico e ortodoxo e não no protestante. Estes livros são considerados apócrifos pelas confissões protestantes e deuterocanônicos pelas confissões católica e ortodoxa. São eles: Judite, Baruc, Sabedoria de Sirac, Eclesi­ástico, 1°. Macabeus, 2°. Macabeus e Tobias.

As confissões protestantes acreditam que este conjunto de livros apresenta erros doutrinários e até mesmo heresias; por isso seriam contrários à Fé Cristã. Porém, o fato do NT possuir tantas referências à versão da Septuaginta, que continha esses livros, pode ser um indício de que nem os judeus de Alexandria, nem os da Palestina, nem Jesus e nem os Apóstolos, tiveram qualquer restrição esses livros, ou então por que usariam uma versão bíblica e continham livros heréticos?
Há ainda objeções que afirmam que nem Jesus e os Apóstolos usavam os deuterocanônicos. Ora, se este fosse um critério verdadeiro para determinar a conformidade de um livro com a Fé Cristã, estariam em não conformidade pelo menos os livros Juízes, Crônicas. Ester, Cântico dos Cânticos, que também não são citados por eles. Entretanto, não é verdade que falta no NT referências aos deuterocanônicos do AT.
Por exemplo, em Hebreus lI, somos animados a imitar os heróis do AT, “as mulheres [que} receberam a seus mortos pela ressurreição. “Alguns foram torturados, recusando aceitar ser libertados, para poder levantar-se novamente a uma vida melhor” (Hb 11,35).
Nos protocanônicos do AT (que corresponderia ao AT Protestante), encontramos vários exemplos de mulheres recebendo a seus mortos mediante ressurreição. Encontraremos Elias ressuscitando o da viúva de Sarepta em 1 Reis 17, encontraremos seu sucessor Eliseu ressuscitando o filho da mulher sunamita em 2 Reis 4. Mas jamais encontraremos (desde Gênesis até Malaquias) algum exemplo de alguém sendo torturado e recusando aceitar ser liberto, causa de uma melhor ressurreição. A história, cuja referência é em Hebreus, se encontra em um dos livros deuterocanônicos, a saber, no em 2 Macabeus.

Vejamos:
“[durante a perseguição dos Macabeus] Também foram detidos sete irmãos, junto com sua mãe. O rei, flagelando-os com açoites e de couro de boi, tratou de obrigá-los a comer carne de porco, proibida pela Lei. {…} Os outros irmãos e a mãe se animavam mutuamente a morrer com generosidade, dizendo: ‘o Senhor Deus está nos o e tem compaixão de nós … ‘ Uma vez que o primeiro morreu {…} levaram o suplício ao segundo [ .. .} também ele sofreu a mesma tortura que o primeiro. E quando estava por dar o último suspiro, disse: ‘Tu, malvado, nos privas da vida presente, mas o Rei do universo nos res­suscitará a uma vida eterna, se morrermos por fidelidade às suas leis”‘ (2 Mac 7,1.5-9). Um após outro os filhos morrem, proclamando que serão recuperados na ressurreição.

Vejamos ainda:
“Incomparavelmente admirável e digna da mais gloriosa lem­brança foi aquela mãe que, vendo morrer a seus sete filhos em um só dia, suportou tudo valorosamente, graças à esperança que tinha posto no Senhor. Exortava a cada um deles, [dizendo] ‘Eu não sei como vocês apareceram em minhas entranhas; não fui eu que lhes dei o espírito e a vida nem fui eu que ordenou harmoniosamente os membros de seu corpo. Por conseguinte, é o Criador do universo, o que formou o homem em seu nascimento e determinou a origem de todas as coisas, quem lhes devolverá misericordiosamente o espírito e a vida, já que vocês se es­quecem agora de si mesmos por amor à suas leis’, dizendo ao último: ‘Não temas a este verdugo: mostra-te digno de seus irmãos e aceita a morte, para que eu volte a encontrá-lo com eles no tempo da misericór­dia’” (2 Mac 7,20-23.29). Perceba o leitor que em Hb 11,35, o escritor sagrado, ao ensinar um artigo de Fé refere-se a um exemplo de testemunho, que se encontra somente em um dos livros deuterocanônicos. Ora, se por isto o livro dos Macabeus contivesse alguma doutrina estranha à fé, com toda certeza o autor da Carta aos Hebreus, evitaria mencioná-­lo em sua pregação.
Esta informação possui mais um detalhe muito importante: a Carta aos Hebreus foi escrita para os judeus da Palestina, demonstrando mais uma vez que a versão da Septuaginta foi também aceita por eles; caso contrário, não faria sentido o escritor sagrado fazer referência a uma história que não era conhecida por seus destinatários.
Um estudo mais completo apresenta um rico conjunto de influências no NT dos livros deuterocanônicos (RAMALHETE, 2000).

Também é importante saber que em alguns dos livros deuterocanônicos do AT, há revelações divinas confirmadas no NT. Por exemplo:
“Quando tu oravas com lágrimas e enterravas os mortos, quan­do deixavas a tua refeição e ias ocultar os mortos em tua casa duran­te o dia, para sepultá-los quando viesse a noite, eu apresentava as tuas orações ao Senhor. Mas porque eras agradável ao Senhor, foi preciso que a tentação te provasse. Agora o Senhor enviou-me para curar-te e livrar do demônio Sara, mulher de teu filho. Eu sou o anjo Rafael, um dos sete que assistimos na presença do Senhor” (Tobias 12,12-15) (grifos meus).
Em nenhum lugar nos livros protocanônicos do AT, há alguma revelação dos 7 anjos que assistem na presença do Senhor e que Lhe entregam as orações dos justos. Esta revelação é confirma­da no livro do Apocalipse:
“Eu vi os sete Anjos que assistem diante de Deus. Foram lhes dadas sete trombetas. Adiantou-se outro anjo e pôs-se junto ao altar, com um turíbulo de ouro na mão. Foram-lhe dados muitos perfumes, para que os oferecesse com as orações de todos os santos no altar de ouro, que está adiante do trono. A fumaça dos perfumes subiu da mão do anjo com as orações dos santos, diante de Deus. Depois disso, o anjo tomou o turíbulo, encheu-o de brasas do altar e lançou-o por terra; e houve trovões, vozes, relâmpagos e terre­motos” (Ap 8,2-5) (grifos meus).
“Ele se gaba de conhecer a Deus, e se chama a si mesmo filho do Senhor! Sua existência é uma censura às nossas idéias; basta sua vista para nos importunar. Sua vida, com efeito, não se parece com as outras, e os seus caminhos são muito diferentes. Ele nos tem por uma moeda de mau quilate, e afasta-se de nossos caminhos como de manchas. Julga feliz a morte do justo, e gloria-se de ter Deus por pai. Vejamos, pois, se suas palavras são verdadeiras, e experimen­temos o que acontecerá quando da sua morte, porque, se o justo é filho de Deus, Deus o defenderá, e o tirará das mãos dos seus adver­sários. Provemo-lo por ultrajes e torturas, a fim de conhecer a sua doçura e estarmos cientes de sua paciência. Condenemo-Io a uma morte infame. Porque, conforme ele, Deus deve intervir” (Sabedoria 2,13-21).
A profecia acima se refere ao escárnio promovido pelo Sinérdio contra o Senhor Jesus. Veja o testemunho do NT sobre o cumprimento da profecia acima:
“A multidão conservava-se lá e observava. Os príncipes dos sacerdotes escarneciam de Jesus, dizendo: Salvou a outros, que se salve a si próprio, se é o Cristo, o escolhido de Deus! [ … J Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo. [‘ ..] Um dos malfeitores, ali crucificados, blasfemava contra ele: Se és o Cristo, salva-te a ti mesmo e sal­va-nos a nós!” (Lc 23,35.37.39).
“Mas Jesus se calava e nada respondia. O sumo sacerdote tomou a perguntar-lhe: És tu o Cristo, o Filho de Deus bendito? [‘ ..] Alguns começaram a cuspir nele, a tapar-lhe o rosto, a dar-lhe socos e a dizer­ lhe: Adivinha! Os servos igualmente davam-lhe bofetadas” (Mc 14,61.65)
“Querendo Pilatos satisfazer o povo, soltou-lhes Barrabás e entregou Jesus, depois de açoitado, para que fosse crucificado. [. .. ] Davam­ lhe na cabeça com uma vara, cuspiam nele e punham-se de joelhos como para homenageá-lo. Depois de terem escarnecido dele, tiraram-lhe a púr­pura, deram-lhe de novo as vestes e conduziram-no fora para o crucificar” (Mc 15,15.19-20).
“Salva-te a ti mesmo! Desce da cruz! Desta maneira, escarneciam dele também os sumos sacerdotes e os escribas, dizendo uns para os outros: Salvou a outros e a si mesmo não pode salvar! Que o Cristo, rei de Israel, desça agora da cruz, para que vejamos e creiamos! Também os que haviam sido crucificados com ele o insultavam” (Mc 15,30-31).
É importante dizer que nos protocanônicos do AT, há registro de coisas muito reprováveis, como as filhas de Lot engravidaram dele, depois de o embebedar (Gn 19,30-36). O Rei Saul consultou uma espírita (I Sm 28,8), Abraão arrumou um filho fora de seu casamento (Gn 16), e o Patriarca Jacó vários (Gn 30,4-5.7.9-10.12). Davi planejou a morte de um de seus soldados para ficar com sua esposa (cf. 2 Sm 11). Alguém poderia dizer ainda que o Livro de Gênesis promove a poligamia (cr. Gn 29,28-30) e todos os cristãos sobre a terra ainda o consideram canônico apesar disso. Portanto, se não é o juízo subjetivo e pessoal que coloca ou retira livros no Cânon Bíblico, o que é? Qual foi o juízo adotado pelos primeiros cristãos para receber ou não um livro como canônico?
Fonte: * Texto extraído do livro “O Canon Bíblico” de autoria do Professor Alessandro

Lima. Páginas101 a 106.
Livro “O Canon Bíblico” – Professor Alessandro Lima – 2007 – Editora “Com Deus”- http://www.comdeus.com.br

Quantas vezes você já ouviu de algum protestante a afirmação de que a Igreja Católica teria acrescentado vários livros apócrifos à Bíblia durante o Concílio de Trento, no séc. XVI? Quando eles falam isso, estão querendo se referir a sete livros do Antigo Testamento que não se encontram em suas bíblias: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc e os dois livros dos Macabeus (além de alguns trechos dos livros de Daniel e Ester). Porém, a própria História – que é imutável – desmente tal argumento, vistos os testemunhos abaixo:

  • “Cânon 36 – Parece-nos bom que, fora das Escrituras canônicas, nada deva ser lido na Igreja sob o nome ‘Divinas Escrituras’. E as Escrituras canônicas são as seguintes: Gênese, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, quatro livros dos Reinos1, dois livros dos Paralipômenos2, Jó, Saltério de Davi, cinco livros de Salomão3, doze livros dos Profetas4, Isaías, Jeremias5, Daniel, Ezequiel, Tobias, Judite, Ester, dois livros de Esdras6 e dois [livros] dos Macabeus. E do Novo Testamento: quatro livros dos Evangelhos7, um [livro de] Atos dos Apóstolos, treze epístolas de Paulo8, uma do mesmo aos Hebreus9, duas de Pedro, três de João, uma de Tiago, uma de Judas e o Apocalipse de João.10 Sobre a confirmação deste cânon se consultará a Igreja do outro lado do mar11. É também permitida a leitura das Paixões dos mártires na celebração de seus respectivos aniversários12(Concílio de Hipona, 08.Out.393).
  • “Parece-nos bom que, fora das Escrituras canônicas, nada deva ser lido na Igreja sob o nome ‘Divinas Escrituras’. E as Escrituras canônicas são as seguintes: Gênese, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, quatro livros dos Reinos, dois livros dos Paralipômenos, Jó, Saltério de Davi, cinco livros de Salomão, doze livros dos Profetas, Isaías, Jeremias, Daniel, Ezequiel, Tobias, Judite, Ester, dois livros de Esdras e dois [livros] dos Macabeus. E do Novo Testamento: quatro livros dos Evangelhos, um [livro de] Atos dos Apóstolos, treze epístolas de Paulo, uma do mesmo aos Hebreus, duas de Pedro, três de João, uma de Tiago, uma de Judas e o Apocalipse de João12. Isto se fará saber também ao nosso santo irmão e sacerdote, Bonifácio, bispo da cidade de Roma, ou a outros bispos daquela região, para que este cânon seja confirmado, pois foi isto que recebemos dos Padres como lícito para ler na Igreja” (Concílio de Cartago III (397) e Concílio de Cartago IV (419)).
  • “Tratemos agora sobre o que sente a Igreja Católica universal, bem como o que se dever ter como Sagradas Escrituras: um livro do Gênese, um livro do Êxodo, um livro do Levítico, um livro dos números, um livro do Deuteronômio; um livro de Josué, um livro dos Juízes, um livro de Rute; quatro livros dos Reis13, dois dos Paralipômenos; um livro do Saltério; três livros de Salomão: um dos Provérbios, um do Eclesiastes e um do Cântico dos Cânticos; outros: um da Sabedoria, um do Eclesiástico. Um de Isaías, um de Jeremias com um de Baruc e mais suas Lamentações, um de Ezequiel, um de Daniel; um de Joel, um de Abdias, um de Oséias, um de Amós, um de Miquéias, um de Jonas, um de Naum, um de Habacuc, um de Sofonias, um de Ageu, um de Zacarias, um de Malaquias. Um de Jó, um de Tobias, um de Judite, um de Ester, dois de Esdras, dois dos Macabeus. Um evangelho segundo Mateus, um segundo Marcos, um segundo Lucas, um segundo João. [Epístolas:] a dos Romanos, uma; a dos Coríntios, duas; a dos Efésios, uma; a dos Tessalonicenses, duas; a dos Gálatas, uma; a dos Filipenses, uma; a dos Colossences, uma; a Timóteo, duas; a Tito, uma; a Filemon, uma; aos Hebreus, uma. Apocalipse de João apóstolo; um, Atos dos Apóstolos, um. [Outras epístolas:] de Pedro apóstolo, duas; de Tiago apóstolo, uma; de João apóstolo, uma; do outro João presbítero, duas14; de Judas, o zelota, uma. (Catálogo dos livros sagrados, composto durante o pontificado de São Dâmaso [366-384], no Concílio de Roma de 382)
  • “Quais os livros aceitos no cânon das Escrituras, o breve apêndice o mostra: Cinco livros de Moisés, isto é, Gênese, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Um livro de Josué, filho de Num; um livro dos Juízes; quatro livros dos Reinos; e Rute. Dezesseis livros dos Profetas; cinco livros de Salomão; o Saltério. Livros históricos: um de Jó, um de Tobias, um de Ester, um de Judite, dois dos Macabeus, dois de Esdras, dois dos Paralipômenos. Do Novo Testamento: quatro livros dos Evangelhos; quatorze epístolas do apóstolo Paulo, três de João, duas de Pedro, uma de Judas, uma de Tiago; os Atos dos Apóstolos; e o Apocalipse de João” (papa Inocêncio I, 20.02.405; Carta “Consulenti Tibi” a Exupério, bispo de Tolosa).
  • “Devemos agora tratar das Escrituras Divinas. Vejamos o que a Igreja Católica universalmente aceita e o que deve ser evitado: (1) Começa a ordem do Antigo Testamento: um livro da Gênese, um do Êxodo, um do Levítico, um dos Números, um do Deuteronômio, um de Josué (filho de Nun), um dos Juízes, um de Rute, quatro livros dos Reis, dois dos Paralipômenos, um livro de 150 Salmos, três livros de Salomão (um dos Provérbios, um do Eclesiastes, e um do Cântico dos Cânticos). Ainda um livro da Sabedoria e um do Eclesiástico. (2) A ordem dos Profetas: um livro de Isaías, um de Jeremias com Cinoth (isto é, as suas Lamentações), um livro de Ezequiel, um de Daniel, um de Oséias, um de Amós, um de Miquéias, um de Joel, um de Abdias, um de Jonas, um de Naum, um de Habacuc, um de Sofonias, um de Ageu, um de Zacarias e um de Malaquias. (3) A ordem dos livros históricos: um de Jó, um de Tobias, dois de Esdras, um de Ester, um de Judite e dois dos Macabeus. (4)A ordem das escrituras do Novo Testamento, que a Santa e Católica Igreja Romana aceita e venera são: quatro livros dos Evangelhos (um segundo Mateus, um segundo Marcos, um segundo Lucas e um segundo João). Ainda um livro dos Atos dos Apóstolos. As 14 epístolas de Paulo Apóstolo: uma aos Romanos, duas aos Coríntios, uma aos Efésios, duas aos Tessalonicenses, uma aos Gálatas, uma aos Filipenses, uma aos Colossenses, duas a Timóteo, uma a Tito, uma a Filemon e uma aos Hebreus. Ainda um livro do Apocalipse de João. Ainda sete epístolas canônicas: duas do Apóstolo Pedro, uma do Apóstolo Tiago, uma de João Apóstolo, duas epístolas do outro João (presbítero) e uma de Judas Apóstolo (o zelota)” (papa S. Gelásio, 495; Decreto Gelasiano; repetido em 520 pelo papa S. Hormisdas. Seguido também pelo Concílio Ecumênico de Florença15 [1438-1445], e novamente ratificado pelos Concílio de Trento16 [1546-1563] e Vaticano I [1870])).
  • Outras Fontes:
    Concílio Regional de Trulos, realizado no ano 692.

1Trata-se dos dois livros de Samuel (1Rs/2Rs) e os dois livros de Reis (3Rs/4Rs).
2Isto é, os dois livros das Crônicas (1Cr/2Cr).
3Ou seja: Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Sabedoria e Eclesiástico.
4A saber: Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.
5Incluindo as “Lamentações” e “Baruc”, segundo a Septuaginta.
6Isto é, o livro de Esdras e o livro de Neemias.
7Mateus, Marcos, Lucas e João.
8Aos Romanos, duas aos Coríntios, aos Gálatas, aos Efésios, aos Filipenses, aos Colossenses, duas aos Tessalonicenses, duas a Timóteo, a Tito e a Filemon.
9Curiosa distinção resultada, provavelmente, dos escrúpulos que a Igreja Africana tinha a respeito da autenticidade literária paulina dessa epístola.
10Percebe-se, assim, que o cânon coincide perfeitamente com o cânon definido pelo Concílio de Trento.
11Trata-se da Igreja de Roma.
12Alusão ao culto dos santos mártires.
13Os Concílios regionais de Cartago simplesmente repetem, com as mesmas palavras, o conteúdo do cânon 36 do Concílio regional de Hipona. A diferença está somente na conclusão.
14Interessante distinção, já que antiquíssima tradição de Éfeso distinguia o João Apóstolo de um João Presbítero, da mesma região.
15cf. Decreto “Pro Iacobitis” (da Bula “Cantate Domino”, de 04.02.1441): “…O Sacrossanto Concílio professa que um e o mesmo Deus é o autor do Antigo e do Novo Testamento, isto é, da Lei, dos Profetas e do Evangelho, pois os santos de ambos os Testamentos falaram sob a inspiração do mesmo Espírito Santo. Este Concílio aceita e venera os seus livros que vêm indicados pelos títulos seguintes: Cinco livros de Moisés (isto é, Gênese, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio), Josué, Juízes, Rute, quatro livros dos Reis, dois dos Paralipômenos, Esdras, Neemias, Tobias, Judite, Ester, Jó, o Saltério de Davi, as Parábolas (Provérbios), Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Sabedoria, Eclesiástico, Isaías, Jeremias, Baruc, Ezequiel, Daniel, os Doze Profetas menores (isto é, Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias) e dois livros dos Macabeus. Quatro Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João), catorze epístolas de Paulo (uma aos Romanos, duas aos Coríntios, uma aos Gálatas, uma aos Efésios, uma aos Filipenses, uma aos Colossenses, duas aos Tessalonicenses, duas a Timóteo, uma a Tito, uma a Filemon, uma aos Hebreus), duas epístolas de Pedro, três de João, uma de Tiago, uma de Judas, os Atos dos Apóstolos e o Apocalipse de João”.
16cf. Decreto sobre o Cânon (sessão IV, de 08.04.1546).

A Igreja Católica e a Bíblia

Publicado: 17 de junho de 2010 por Rafasoftwares em Bíblia

Se não fosse a Igreja Católica, não existiria a Bíblia como a temos hoje, com os 72 livros canônicos, isto é, inspirados pelo Espírito Santo.

“Foi a Tradição apostólica que fez a Igreja discernir que escritos deviam ser enumerados na lista dos Livros Sagrados”(DV 8; CIC,120).

Portanto, sem a Tradição da Igreja não teríamos a Bíblia. Santo Agostinho dizia: “Eu não acreditaria no Evangelho, se a isso não me levasse a autoridade da Igreja Católica” (CIC,119).

Por que a Bíblia católica é diferente da protestante? Esta tem apenas 66 livros porque Lutero e, principalmente os seus seguidores,  rejeitaram os livros de Tobias, Judite, Sabedoria, Baruc, Eclesiástico (ou Sirácida), 1 e 2 Macabeus, além de Ester 10,4-16; Daniel 3,24-20; 13-14.

No ano 100 o Sínodo de Jâmnia (ou Jabnes):

(1) deveria ter sido escrito na Terra Santa;

(2) escrito somente em hebraico, nem aramaico e nem grego;

(3) escrito antes de Esdras (455-428 a.C.);

(4) sem contradição com a Torá ou lei de Moisés.

Versão dos Setenta: Alexandria – 200 anos antes de Cristo, incluiu os livros que os judeus de Jâmnia, por critérios nacionalistas, rejeitaram.

Havia então no início do Cristianismo duas Bíblias judaicas: uma da Palestina (restrita) e a Alexandrina (completa – Versão dos LXX).

Os Apóstolos e Evangelistas optaram pela Bíblia completa dos Setenta (Alexandrina), considerando canônicos os livros rejeitados em Jâmnia.

Das 350 citações do Antigo Testamento que há no Novo, 300 são tiradas da Versão dos Setenta, o que mostra o uso da Bíblia completa pelos apóstolos.

Verificamos também que nos livros do Novo Testamento há citações dos livros que os judeus nacionalistas da Palestina rejeitaram. Por exemplo: Rm 1,12-32 se refere a Sb 13, 1-9;  Rm 13, 1 a  Sb 6, 3;  Mt 27, 43 a Sb 2, 13.18; Tg 1, 19 a Eclo 5, 11;  Mt 11, 29s a Eclo 51, 23-30;  Hb 11, 34 a 2 Mac 6, 18; 7, 42;  Ap 8, 2 a Tb 12, 15.

Nos mais antigos escritos dos santos Padres da Igreja (patrística) os livros rejeitados pelos protestantes (deuterocanônicos) são citados como Sagrada Escritura.

São Clemente de Roma, Papa, no ano de 95 escreveu a Carta aos Coríntios, citando Judite, Sabedoria, fragmentos de Daniel, Tobias e Eclesiástico; livros rejeitados pelos protestantes.

Pastor de Hermas, no ano 140, faz amplo uso de Eclesiástico, e do 2 Macabeus;

Santo Hipólito (†234) comenta o Livro de Daniel com os fragmentos deuterocanônicos rejeitados pelos protestantes, e cita como Sagrada Escritura Sabedoria, Baruc, Tobias, 1 e 2 Macabeus.

Vários Concílios confirmaram isto: os Concílios regionais de Hipona (ano 393); Cartago II (397), Cartago IV (419), Trulos (692). Principalmente os Concílios ecumênicos de Florença (1442), Trento (1546) e Vaticano I (1870).

Lutero, ao traduzir a Bíblia para o alemão, traduziu também os sete livros (deuterocanônicos) na sua edição de 1534, e as Sociedades Bíblicas protestantes, até o século XIX incluíam os sete livros nas edições da Bíblia.

“Pela Tradição torna-se conhecido à Igreja o Cânon completo dos livros sagrados e as próprias Sagradas Escrituras são nelas cada vez mais profundamente compreendidas  e  se fazem sem cessar, atuantes.” (DV,8).

A Bíblia não define o seu catálogo; isto é, não há um livro da Bíblia que diga qual é o índice dela. Assim, este só pode ter sido feito pela Tradição dos apóstolos, pela tradição oral que de geração em geração chegou até nós.

A Vulgata – O Papa São Dâmaso (366-384), no século IV, pediu a S. Jerônimo que fizesse uma revisão das muitas traduções latinas que havia da Bíblia. São Jerônimo revisou o texto grego do Novo Testamento e traduziu do hebraico o Antigo Testamento, dando origem ao texto latino chamado de Vulgata, usado até hoje.

Por: Professor Felipe Aquino.

Livros perdidos Da Bíblia?

Publicado: 16 de junho de 2010 por Rafasoftwares em Bíblia

No Antigo Testamento:

1. Livro das Guerras de Javé: “Por isso se diz no Livro das Guerras de Javé: ‘Assim como fez no Mar Vermelho, assim fará nas torrentes do Arnon. Os rochedos das torrentes se inclinaram, para descansar em Ar, e repousarem sobre os confins dos moabitas” (Num. 21,14-15) .

2. Livro do Justo: “Foi então que Josué falou ao Senhor, no dia em que o Senhor entregou os amorreus aos filhos de Israel. Disse Josué na presença de Israel: ‘Sol, detém-te em Gabaão, e tu, lua, no vale de Ajalão!’ E o sol e a lua pararam até que o povo se vingou de seus inimigos. Não está isto escrito no Livro do Justo? Parou pois o sol no meio do céu, e não se apressou a pôr-se durante o espaço de um dia” (Jos. 10,12-13). “E (Davi) ordenou que ensinassem aos filhos de Judá o (cântico chamado do) arco, conforme está escrito no Livro do Justo. E disse: ‘Considera, ó Israel, os que morreram sobre os teus altos, cobertos de feridas'” (2Sam. 1,18).

3. Provérbios e Cânticos de Salomão: “Proferiu ele (Salomão) três mil provérbios, e foram os seus cânticos mil e cinco. Discorreu acerca das plantas, desde o cedro que está no Líbano até o hissopo que brota da parede. Também falou dos animais e das aves, e dos répteis, e dos peixes” (1Rs. 4,32-33).

4. Livro dos Atos de Salomão: “Quanto aos demais atos de Salomão, e a tudo quanto fez, e à sua sabedoria, porventura não está escrito no Livro dos Atos de Salomão?” (1Rs. 11,41).

5. Livro das Crônicas dos Reis de Israel: “Quanto ao restante dos atos de Jeroboão, como guerreou e como reinou, está escrito no Livro das Crônicas dos Reis de Israel” (1Rs. 14,19).

6. Livro das Crônicas dos Reis de Judá: “Quanto ao restante dos atos de Roboão, e a tudo quanto fez, porventura não está escrito no Livro das Crônicas dos Reis de Judá?” (1Rs. 14,29).

7. Livro do Profeta Natã: “Os atos do rei Davi, tanto os primeiros quanto os últimos, estão escritos no livro de Samuel, o vidente, no Livro de Natã, o profeta, e no Livro de Gade, o vidente” (1Cr. 29,29). “Quanto ao resto dos atos de Salomão, dos primeiros aos últimos, porventura não estão escritos no livro da história de Natã, o profeta, e nos livros de Aías, o silonita, e nas visões de Ado, o vidente, acerca de Jeroboão, filho de Nebate?” (2Cr. 9,29).

8. Livro de Samuel, o Vidente: “Os atos do rei Davi, tanto os primeiros quanto os últimos, estão escritos no livro de Samuel, o vidente, no Livro de Natã, o profeta, e no Livro de Gade, o vidente” (1Cr. 29,29).

9. Livro de Aías, o Silonita: “Quanto ao resto dos atos de Salomão, dos primeiros aos últimos, porventura não estão escritos no livro da história de Natã, o profeta, e nos livros de Aías, o silonita, e nas visões de Ado, o vidente, acerca de Jeroboão, filho de Nebate?” (2Cr. 9,29).

10. Livro de Ado, o Vidente: “Quanto ao resto dos atos de Salomão, dos primeiros aos últimos, porventura não estão escritos no livro da história de Natã, o profeta, e nos livros de Aías, o silonita, e nas visões de Ado, o vidente, acerca de Jeroboão, filho de Nebate?” (2Cr. 9,29). “Quanto ao resto dos atos de Roboão, dos primeiros aos últimos, está escrito nos livros de Semaias, o profeta, e de Ado, o vidente, e diligentemente registrado: ‘houve guerra entre Roboão e Jeroboão durante todos os seus dias'” (2Cr. 12,15). “Quanto ao resto dos atos de Abias, seu caráter e obras, está diligentemente escrito no Livro de Ado, o profeta” (2Cr. 13,22).

11. Livros de Semaias, o profeta: “Quanto ao resto dos atos de Roboão, dos primeiros aos últimos, está escrito nos livros de Semaias, o profeta, e de Ado, o vidente, e diligentemente registrado: ‘houve guerra entre Roboão e Jeroboão durante todos os seus dias'” (2Cr. 12,15).

12. Livro dos Reis de Judá e Israel: “Mas os feitos de Asa, dos primeiros aos últimos, estão escritos no Livro dos Reis de Judá e Israel” (2Cr. 16,11).

13. Livro dos Reis de Israel e Judá: “Quanto ao resto dos atos de Joatão, e todas as suas guerras e obras, estão escritos no Livro dos Reis de Israel e Judá” (2Cr. 27,7).

14. Livro dos Reis: “O relato dos seus filhos, as muitas sentenças proferidas contra ele e o registro da restauração da casa de Deus, estão escritos diligentemente no Livro dos Reis. E Amasias, seu filho, reinou em seu lugar” (2Cr. 24,27).

15. Anais dos Reis de Israel: “Mas o resto dos atos de Manassés, sua oração ao seu Deus e as palavras dos videntes que falaram-lhe em nome do Senhor Deus de Israel, estão contidas nos Anais dos Reis de Israel” (2Cr. 33,18).

16. Comentários de Jeú, filho de Hanani: “Mas o resto dos atos de Josafá, dos primeiros aos últimos, estão escritos nos comentários de Jeú, filho de Hanani, que observou nos Livros dos Reis de Israel” (2Cr. 20,34).

17. A História de Osias, por Isaías, filho de Amós, o profeta: “Mas o resto dos atos de Ozias, dos primeiros aos últimos, foi escrito por Isaías, filho de Amós, o profeta” (2Cr. 26,22).

18. Palavras de Hozai: “A oração que ele (Manassés) fez, como foi ouvido, todos os seus pecados e o desprezo (de Deus), os lugares também em que mandou edificar altos, em que mandou plantar bosques, e colocar estátuas, antes de fazer penitência, encontra-se tudo escrito no Livro de Hozai” (2Cr. 33,19).

19. Livros dos Medos e dos Persas: “Ora, o rei Assuero tinha imposto tributo a toda terra e todas ilhas do mar. Nos Livros dos Medos e dos Persas se acha escrito qual foi o seu podere o seu domínio, a dignidade e a grandeza a que ele exaltou Mardoqueu” (Est. 10,1-2).

20. Anais do Pontificado de João: “O resto dos atos de João, das suas guerras, das empresas que valorosamente se portou, da reedificação dos muros que construiu e de todas as suas ações, tudo está escrito no Livro dos Anais do seu pontificado, começando desde o tempo em que foi constituído sumo-pontífice em lugar de seu pai” (1Mac. 16,23-24).

21. Descrições de Jeremias, o profeta: “Nos documentos referentes ao profeta Jeremias, lê-se que ele ordenou aos que eram levados para o cativeiro que tomassem o fogo, como já foi referido, e que lhe faz recomendações (…) Lia-se também nos mesmos escritos, que este profeta, por uma ordem particular recebida de Deus, mandou que se levassem com ele o tabernáculo e a arca, quando escalou o monte a que Moisés tinha subido para ver a herança de Deus. Tendo ali chegado, Jeremias achou uma caverna; pôs nela o tabernáculo, a arca e o altar dos perfumes, e tapou a entrada. Alguns dos que o seguiam voltaram de novo para marcar o caminho com sinais, mas não puderam encontrá-lo” (2Mac. 2,1.4-6).

22. Memórias e Comentários de Neemias: “Estas mesmas coisas se achavam nos comentários e memórias de Neemias, onde se lia que ele formou uma biblioteca, recolhendo os livros referentes aos reis e profetas, os de Davi e as cartas dos reis respeitantes às oferendas” (2Mac. 2,13).

23. Os Cinco Livros de Jasão de Cirene: “A história de Judas Macabeu e seus irmãos, a purificação do grande templo e a dedicação do altar, as guerras contra Antíoco Epífanes e seu filho Êupator, as manifestações do céu a favor dos que pelejaram pelo judaísmo com valentia e zelo, os quais, sendo poucos, se tornaram senhores de todo o país e puseram em fuga um grande número de bárbaros, recobraram o templo famoso em todo o mundo, livraram a cidade da escravidão, restabeleceram as leis que iam ser abolidas, graças ao Senhor que lhes foi propício com evidentes provas da sua bondade, tudo isto, que Jasão de Cirene escreveu em cinco livros, procuramos nós resumir num só volume”.

No Novo Testamento:

1. A Epístola Prévia de Paulo aos Coríntios: “Por carta vos escrevi que não tivésseis comunicação com os fornicadores; não certamente com os fornicadores deste mundo, ou com os avarentos, ou ladrões, ou com os idólatras; doutra sorte deveríeis sair deste mundo.” (1Cor. 5,9-10).

2. Epístola de Paulo aos Laodicenses: “Saudai os irmãos que estão em Laodicéia, e Ninfas e a igreja que se reúne em sua casa. Lida que for esta carta entre vós, fazei que seja lida também na Igreja dos Laodicenses; e vós, lede a dos laodicenses” (Col. 4,15-16).

3. A Profecia de Enoque: “Também Enoque, o sétimo patriarca depois de Adão, profetizou destes, dizendo: ‘Eis que vem o Senhor, entre milhares dos seus santos, a fazer juízo contra todos, e a argüir todos os ímpios de todas as obras da sua impiedade, que impiamente fizeram, e de todas as palavras injuriosas, que os pecadores ímpios têm proferido contra Deus'” (Jd. 1,14-15).

4. A Disputa pelo Corpo de Moisés: “Quando o arcanjo Miguel, disputando com o demônio, altercava sobre o corpo de Moisés, não se atreveu a proferir contra ele a sentença da maldição, mas disse somente: ‘Reprima-te o Senhor'” (Jd. 1,9).

Fonte: http://www.bibliacatolica.com.br

Sola Scriptura Adulterada

Publicado: 14 de junho de 2010 por Rafasoftwares em Bíblia, Seitas & Heresias

Adulterações bíblicas da Sociedade Bíblica Brasileira(SBB) na NOVA TRADUÇÃO NA LINGUAGEM DE HOJE(NTLH).

Um dia em mais um de meus estudos bíblicos, fui ler em uma Bíblia (NTLH, Protestante, que minha mãe ganhou de uma aluna dela.) um texto que já havia lido em minha Bíblia (Jerusalém) pessoal que uso para estudo, notei que havia algo diferente na tradução dessa NTLH, de inicio pensei que eram apenas a forma do tradutor se expressar e as palavras, mas quando fui comparar as 2 Bíblias vi algumas palavras a mais nessa Bíblia protestante, o que mudava totalmente o entendimento do texto bíblico levando-nos a ter outra “interpretação”. O texto era 1 Tessalonicenses 5, 10 que  na bíblia protestante diz :

NTLH = “que morreu por nós para podermos viver com ele, tanto se estivermos vivos como se estivermos mortos quando ele vier.”

Note que as palavras em vermelho vêm a mais na NTLH. Mas ai poderia um protestante objetar dizendo: “a Igreja católica foi quem tirou essas palavras.” Mas veremos no grego para ver quem adulterou este trecho.

“τοῦ ἀποθανόντος ὑπὲρ ἡμῶν, ἵνα εἴτε γρηγορῶμεν εἴτε καθεύδωμεν ἅμα σὺν αὐτῷ ζήσωμεν.”

Tradução correta = “que morreu por nós a fim de que nós, na vigília ou no sono vivamos em união com ele.”

Ora até ai tudo bem poderia ter sido apenas um versículo que o tradutor se passou e colocou daquele jeito, mas como meu coração arde a chama da verdade, resolvi começar a lê-la, apenas as passagem mais clássicas que normalmente causam debates e  enriquecem a hermenêutica católica. Não se assustem com o que vão ver, mas não é uma tradução e sim uma interpretação da bíblia, que só não é pior do que a TNM (tradução do novo mundo, das testemunhas de Jeová), e me perdoem a expressão, é descarada, e visivelmente protestante que visa claramente enfraquecer a hermenêutica católica, se aproveitando dos menos instruídos.

Vamos observar uma pequena lista que eu fiz em apenas uma noite (imagine só se tivesse lido ela toda) que vão nos mostrar que devemos ter cuidado com essas bíblias que nos dão por ai nas ruas, apesar de a intenção de quem as dá ser aparentemente boa, para que as pessoas tenham acesso a palavra de Deus, mas que realmente não são a palavra de Deus, nem todas as bíblias que vemos são a palavra de DEUS.

Se você é protestante, evangélico, ou outra coisa pode ir conferindo na sua própria bíblia, a mais comum é a João Almeida entre os evangélicos/protestantes, então vão conferindo nela mesma, vou logo em baixo colocar o texto original em grego para quem quiser traduzir em algum tradutor na net.

Olhem o que está escrito no prefácio desta “bíblia”:

...“Assim a NTLH, agora, aproxima-se, neste particular, do texto da tradução de João Almeida revista e atualizada, e do texto da maioria das demais traduções bíblicas em língua portuguesa. Esta revisão sozinha afetou perto de 7 mil palavras do antigo testamento.(5) Uma série de textos que apareceriam no rodapé da BLH, agora na NTLH, voltaram ao texto da bíblia. Isso se refere, por exemplo aos títulos originais dos salmos , às vezes, difíceis de compreender, os quais aparecem, , os quais parecem traduzidos no inicio do respectivo Salmo tipo itálico(inclinado). Também no novo testamento, algumas passagens que não se encontram em alguns do melhores e mais antigos manuscritos gregos mesmo assim aparecem, agora, traduzidas entre colchetes([]; ver, por exemplo, Mateus 6, 13). (6) Finalmente, acolheu-se uma série de sugestões encaminhadas à comissão de tradução por parte de fiéis das mais diversas Igrejas.” [ultimo parágrafo].

Quem são esses fiéis para sugerir possíveis traduções? Sugestões essas que são de pensamentos pessoais e que não condizem com os textos originais, e enfraquecem a semântica e os vocábulos originais das línguas.

Só em uma coisa ai ele acertou, em Mateus 6, 13 você pode notar na oração do Pai Nosso, que nas traduções católicas não se encontram essas palavras, “Pois teu é o reino o poder e a gloria para sempre, amem”, isso é devido, como eles mesmo ai afirmam, a uma adição posterior que não se encontra nos manuscritos mais antigo dos originais. E os protestantes teimam em dizer que foi a Igreja católica quem removeu essas palavras, assim como um tal “Pastor” Abílio Santana que fez uma pregação sobre isso dizendo que a Igreja Católica não tinha essas palavras por que não queria dar a Deus o poder, honra e glória, sendo que todos os dias nas Missas isso é pronunciado pelo padre e todos os fiéis, e diga se de passagem que nessa pregação, Deus me perdoe, ele parecia estar mais possuído por um espírito maligno do que ungido pelo Espírito Santo.

Vamos aos versículos:

1)Texto da NTLH

2) Texto original em grego

3) Tradução correta.

NTLH = 1ª Pedro 4, 6 “Pois o evangelho foi anunciado também aos mortos, os quais morreram por causa do julgamento de Deus, como morrem todos os seres humanos. O Evangelho foi anunciado a eles a fim de que pudessem viver a vida espiritual como Deus quer que eles vivam.”

“εἰς τοῦτο γὰρ καὶ νεκροῖς εὐηγγελίσθη, ἵνα κριθῶσι μὲν κατὰ ἀνθρώπους σαρκί, ζῶσι δὲ κατὰ Θεὸν πνεύματι.”

Tradução correta = “Pois para isto foi o Evangelho pregado também aos mortos; para que, embora sejam condenados em sua humanidade de carne, vivam segundo Deus quanto ao espírito.”

Veja a diferença nos textos, no da NTLH nos dá a idéia que esses mortos não são evidentemente os que já partiram dessa vida e sim “mortos espirituais”, ou seja, os não convertidos, pois para muitos esses “mortos” são os que perseguem os autores da epistola, o que se contrasta com 1 Pedro 3, 19.

NTLH = Daniel 9, 24“Daniel, o castigo do seu povo e da sua santa cidade vai durar setenta anos vezes sete, até que termine a revolta, e o pecado acabe. Então o seu povo vai conseguir o perdão dos seus pecados, e a justiça eterna de Deus será feita…”

Tradução Correta = Setenta semanas foram fixadas a teu povo e à tua cidade santa para dar fim à prevaricação, selar os pecados e expiar a iniqüidade, para instaurar uma justiça eterna, encerrar a visão e a profecia e ungir o Santo dos Santos….”

Sabemos que realmente, devido a estudos bíblicos aprofundados,  as 70 semanas que Gabriel diz a Daniel são na verdade setenta semanas de anos, ou seja uma semana é igual a 7 anos, porém nos originais não está escrito assim eles interpretaram e não foram fiéis aos originais, colocaram uma interpretação em vez da tradução fiel, o que enfraquece a linguagem bíblica. Se Deus quisesse isso não teria se expressado falando de semanas e sim em anos.

E esse capítulo de 9, 24-27 é totalmente deturpado se formos observar duas traduções e compará-las veremos um texto totalmente estranho ao original.

Agora vamos ver as adulterações claramente anti-católicas:

NTLH = II Tessalonicenses 2, 15. “Portanto, irmãos, fiquem firmes e guardem aquelas verdades que ensinamos a vocês tanto nas nossas mensagens como na nossa carta.”

“῎Αρα οὖν, ἀδελφοί, στήκετε, καὶ κρατεῖτε τὰς παραδόσεις ἃς ἐδιδάχθητε εἴτε διὰ λόγου εἴτε δι’ ἐπιστολῆς ἡμῶν.”

Tradução Correta = “permanecei, pois, constantes, irmãos, e conservai as tradições que aprendestes, ou por nossas palavras, ou por nossa carta”

NTLH = “Irmãos, em nome do nosso Senhor Jesus Cristo, ordenamos a vocês que se afastem de todos os irmãos que vivem sem trabalhar e que não seguem os ensinamentos que demos a eles.”

“αραγγέλλομεν δὲ ὑμῖν, ἀδελφοί, ἐν ὀνόματι τοῦ Κυρίου ἡμῶν ᾿Ιησοῦ Χριστοῦ, στέλλεσθαι ὑμᾶς ἀπὸ παντὸς ἀδελφοῦ ἀτάκτως περιπατοῦντος καὶ μὴ κατὰ τὴν παράδοσιν ἣν παρέλαβον παρ’ ἡμῶν.”

Tradução Correta = “Intimamos-vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que eviteis a convivência de todo irmão que leve vida ociosa e contrária à tradição que de nós tendes recebido.”

Não precisa nem dizer né, por que eles mudaram as palavras tradição e ensinamentos de viva voz, por ensinamentos e mensagens. (protestantes rejeitam a tradição divino-apostólica ou as doutrinas que nos foram transmitidas por via meramente oral).

A palavra “Depósito” (parathéke no grego) é trocada por “boas coisas” (2Tm 1, 14; 1Tm 6,20; 2Tm 1, 12). O mesmo acontece com muitas outras palavras que não poderiam se substituídas para não enfraquecer a hermenêutica católica, tais como: justificação em Rm 3, 20-22; Rm 1, 17b; Gl 3, 11b; Hb 10, 38;

Observe agora essa:

NTLH = Lucas  2, 7 “Então Maria deu à luz o seu primeiro filho. Enrolou o menino em panos e o deitou numa manjedoura, pois não havia lugar para eles na pensão.”

“ καὶ ἔτεκε τὸν υἱὸν αὐτῆς τὸν πρωτότοκον, καὶ ἐσπαργάνωσεν αὐτὸν καὶ ἀνέκλινεν αὐτὸν ἐν τῇ φάτνῃ, διότι οὐκ ἦν αὐτοῖς τόπος ἐν τῷ καταλύματι.”

Tradução correta =E deu à luz seu filho primogênito, e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o num manjedoura; porque não havia lugar para eles na hospedaria.”

Por que será isso? Note que a palavra “πρωτότοκον” que significa “Primogênito” ou “filho mais velho”, foi trocada por “primeiro filho” dando já a Idéia que Maria havia tido mais filhos, ora nós sabemos que para o povo daquela época ao falar-se em primogênito não queria dizer necessariamente que a mãe teve outros filhos além desse, mais novos, mas sim o titulo que todos os primogênitos tinham e eram mais beneficiados com isso!

E por ultimo para matar de vez a Igreja Católica:

NTLH = Mateus 16, 19. “Eu lhe darei as chaves do Reino do Céu; o que você proibir na terra será proibido no céu, e o que permitir na terra será permitido no céu.”

“καὶ δώσω σοι τὰς κλεῖς τῆς βασιλείας τῶν οὐρανῶν, καὶ ὃ ἐὰν δήσῃς ἐπὶ τῆς γῆς, ἔσται δεδεμένον ἐν τοῖς οὐρανοῖς, καὶ ὃ ἐὰν λύσῃς ἐπὶ τῆς γῆς, ἔσται λελυμένον ἐν τοῖς οὐρανοῖς.”

Tradução Correta = “Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.”

Assim também diz D. Estevão Bettencourt (teólogo e biblista) sobre essa “tradução”:

“Concluímos que a BLH não é simplesmente uma tradução, mas vem a ser, em mais de um caso, uma interpretação… o tradutor, de caso pensado, procura evitar vocábulos consagrados pelo uso, como se dá na BLH. E, diga-se de passagem: a interpretação dada ao texto da BLH, cá e lá, é evidentemente protestante. – Daí não se poder recomendar o uso da BLH nem para católicos, nem para protestantes, pois uns e outros necessitam, antes do mais, de ler o texto bíblico na sua identidade tão objetiva quanto possível. Julgamos, pois, que não se devem evitar as palavras técnicas do vocabulário  bíblico como Evangelho, justificação, mistério… e outras muitas, pois têm suas conotações que outras, tidas como equivalentes, não possuem; o que elas possam apresentar de  insólito, seja explicado ao pé da página do texto bíblico ou em glossário próprio, de modo que percam sua estranheza para o leitor não iniciado.”

Essa foi uma pequena lista que eu fiz só pra ter uma noção básica de como é essa “tradução”. Em 2000 anos de história a Igreja católica nunca adulterou nem um versículo da Bíblia se quisesse adulterar, as primeiras que ela ia fazer eram os 10 mandamentos, onde falam das imagens e tal. Mas como a Igreja sustenta a verdade nunca fez isso, compilou a bíblia e a guardou todo esse tempo e chegam agora esses charlatões traduzindo a bíblia ao seu bel prazer.

Não podemos confiar nessas bíblias que ganhamos nas ruas ou de presente que não são católicas, toda bíblia católica tem o imprimatur de um bispo logo nas primeiras paginas, a Igreja tem o controle sobre as publicações da bíblia de editoras católicas para não haver coisas como essas que acabemos de verificar. Só assim teremos a real certeza de que o que temos em mãos é realmente a palavra de Deus.

In Cord Jesu Semper,

Rafael Rodrigues.

Referências : Professor Felipe Aquino e D. Estevão Bettencourt.

Concílio de Ipona – Cânon 36

Publicado: 8 de junho de 2010 por Rafasoftwares em Bíblia

Tradução: Carlos Martins Nabeto

Cânon 36 – Parece-nos  bom que,  fora das  Escrituras canônicas, nada deva ser lido na Igreja sob o nome ‘Divinas Escrituras’. E as Escrituras canônicas são as seguintes: Gênese, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, quatro livros dos Reinos1, dois livros dos Paralipômenos2, Jó, Saltério de Davi, cinco livros de Salomão3, doze livros dos Profetas4, Isaías, Jeremias5, Daniel, Ezequiel, Tobias, Judite, Ester, dois livros de Esdras6 e dois [livros] dos Macabeus. E do Novo Testamento: quatro livros dos Evangelhos7, um [livro de] Atos dos Apóstolos, treze epístolas de Paulo8, uma do mesmo aos Hebreus9, duas de Pedro, três de João, uma de Tiago, uma de Judas e o Apocalipse de João.10 Sobre a confirmação deste cânon se consultará a Igreja do outro lado do mar11. É também permitida a leitura das Paixões dos mártires na celebração de seus respectivos aniversários12.

NOTAS

Outras Fontes: Concílio Regional de Trulos, realizado no ano 692.

1 Trata-se dos dois livros de Samuel (1Rs/2Rs) e os dois livros de Reis (3Rs/4Rs).
2 Isto é, os dois livros das Crônicas (1Cr/2Cr).
3 Ou seja: Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Sabedoria e Eclesiástico.
4 A saber: Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.
5 Incluindo as “Lamentações” e “Baruc”, segundo a Septuaginta.
6 Isto é, o livro de Esdras e o livro de Neemias.
7 Mateus, Marcos, Lucas e João.
8 Aos Romanos, duas aos Coríntios, aos Gálatas, aos Efésios, aos Filipenses, aos Colossenses, duas aos Tessalonicenses, duas a Timóteo, a Tito e a Filemon.
9 Curiosa distinção resultada, provavelmente, dos escrúpulos que a Igreja Africana tinha a respeito da autenticidade literária paulina dessa epístola.
10 Percebe-se, assim, que o cânon coincide perfeitamente com o cânon definido pelo Concílio de Trento.
11 Trata-se da Igreja de Roma.
12 Alusão ao culto dos santos mártires.

Fonte : Veritatis Esplendor