Sincretismo em Salvador

Publicado: 9 de janeiro de 2011 por Rafasoftwares em Seitas & Heresias
Um amigo da Web, Professor Dycastro de Cascavel – Ce, me enviou uma notícia sobre a realidade sincrética de Salvador na festa do Bonfim dia 07/01/2011. Eu respondi. Posto aqui sua fala e minha resposta.

Fala do professor Dycastro:

 

Ontem, (sete de Janeiro) casualmente assisti uma reportagem sobre a festa do Senhor do Bonfim em Salvador. O apresentador destacou como positivo o lado sincretista da festa observando que dela participavam tanto católicos como seguidores do candomblé, pois para estes o Senhor do Bonfim é Oxalá, o orixá-pai de todos os deuses. Porém, o que mais me entristeceu foi a declaração do padre: “Temos aqui um grande exemplo de convivência fraterna entre as religiões. Pois o Senhor do Bonfim de braços abertos acolhe a todos.” Estaria eu enganado? Seria o Senhor do Bonfim o mesmo Jesus, o Cristo que disse aos apóstolos e ao povo que o ouvia: “Pensais que eu vim trazer a paz sobre a terra? Não, eu vos digo, mas a divisão. Pois de hoje em diante, numa casa com cinco pessoas estarão divididas três contra duas e duas contra três. (Lc 12, 51; MT 10,34-35) Teriam os primeiros cristãos se enganado ao preferir morrer a acolher os deuses pagãos do Império romano? A não atender a suplica de pais, parentes e amigos para oferecer incenso aos deuses pagãos e desta foram salvar suas vidas? Seria o Jesus do Evangelho o mesmo Jesus do padre, que está de braços abertos para acolher a todos, inclusive a Oxalá? Fiquei confuso e escandalizado. E também triste. Porque provalvemente neste caso, eu seria o rejeitado, como causador de divisões e discórdias, se dissesse em Salvador em plena festa do Senhor do Bom fim, que Oxalá e o Senhor do Bonfim não são e não podem ser o mesmo senhor. Oxalá é uma entidade que expressa uma força da natureza. Um deus pai entre outros deuses. Neste caso não culpo o baiano simples, sem formação católica eficiente, pois nunca a recebeu e é cercado de terreiros por todos os lados desde os tempos da escravidão. Lamento, e muito, a oportunidade desperdiçada dos padres de catequizarem este povo.
 
Não admiro se muitos dos que vão à Igreja do Bonfim cultuar o Senhor do Bom fim e Oxalá, depois se tornem protestantes, por terem descoberto que Oxalá é um ídolo e que a Igreja (no caso os padres de lá) nunca o alertou sobre esta verdade. Houve várias missas durante todo o dia de ontem na basílica do Senhor do Bon fim. Perdeu-se a providencial oportunidade de proclamar que Jesus é o único Senhor do Bon fim, por sua ressurreição gloriosa dentre os mortos. Mas nada tem a ver com Oxalá, um orixá que não existe. Uma entidade que pode acobertar um demônio, pois como disse o grande apóstolo Paulo, cultuar deuses falsos é cultuar os demônios.” Aquilo que os gentios imolam, eles oferecem aos demônios, e não a Deus. Ora, não quero que entreis em comunhão com os demônios.” (1Cor 10, 20). Sei quanto é difícil denunciar o sincretismo religioso no Brasil. Principalmente agora com toda esta promoção em defesa da africanidade, que se propõe até a ensinar as crenças das religiões africanas nas escolas.
 
Na verdade, o sincretismo é uma das armadilhas de Satanás infiltrado na Igreja, para causar a divisão e manchar o culto verdadeiro a Nosso Senhor Jesus Cristo. Porem, se é prudente evitar provocar discórdias entre crenças, não é proibido anunciar Jesus Cristo como o único Senhor e deixar bem claro que entre ele e Oxalá nada há de comum. Percebi que é isto que os padres de Salvador não fazem. Pelo contrário, o padre entrevistado elogiou essa mistura entre o Senhor do Bom fim e Oxalá. “Pois o Senhor do Bom fim de braços abertos recebe a todos?’ disse ele. A todos? Inclusive a Oxalá o outro senhor pai de outros deuses? Que são os deuses dos pagãos se não ídolos? Estariam errados os missionários que destruíam templos pagãos e erguiam altares a Nosso Senhor Jesus Cristo? Errou o grande São Bento de Nurcia ao destruir o templo do deus Apolo para erguer no lugar o seu Mosteiro com a finalidade de adorar e servir o verdadeiro Senhor e Deus? Estou angustiado e confuso perante esta situação. Antes os padres tinham a coragem de anunciar Cristo como único Salvador e Senhor. E se aproveitavam os costumes pagãos integrando-os na liturgia, esforçavam-se também, para eliminar toda referência ao deus cujo a forma de cultuar foi assimilada ao culto a Cristo e aos santos. Esta sim é a verdadeira inculturação. Foi assim que a Virgem Maria destruiu o culto a todas as deusas, assumido nomes e imagens diferentes em cada cultura. Mas sempre se reforçou que se venerava a mãe de Cristo e não mais Isthar, Juno, Afrodite ou Isis ao lado desta. A relação com Cristo era fundamental e reforçada. Hoje se prega a mistura, a convivência pacifica entre os ídolos e Cristo. A paz que o mundo dar é esta. Mas não é a paz que Cristo dá. Pois esta só se torna realidade quando se ama Cristo e serve-se apenas a ele como único e soberano Senhor. Enfim, suplico a Nosso Senhor Jesus, que apesar de tudo, dos maus padres, dos católicos de nome, conceder-me dizer, ao fim da minha vida, o que disse Santa Teresa d´Avila: “Enfim, morro como Filho da Igreja.” E salvai, Ó Cristo, Salvador e o Brasil do Sincretismo.
 

Minha resposta a Dycastro:
  

“O modo e o método de pregar a doutrina católica de forma alguma devem transformar-se em obstáculo para o diálogo com os irmãos de outras igrejas. É absolutamente necessário que toda a doutrina católica seja exposta com clareza aos católicos. Pois, nada é tão alheio ao ecumenismo como aquele falso respeito humano pelo qual a pureza da doutrina católica sofre detrimento e é obscurecido o seu sentido genuíno e certo. Ao mesmo tempo, a fé católica deve ser explicada mais profunda e corretamente, de tal modo e com tais termos que possa ser de fato bem compreendida também pelos irmãos separados” (UR, n.11).
 
A mim como pastor de uma comunidade paroquial é enviado o apelo do Senhor: “Fortalecei as mãos frouxas, e firmai os joelhos vacilantes. Dizei aos desalentados de coração: Sede fortes, não temais. Eis o vosso Deus” (Isaías 35,3-4). No dia de minha posse, o Pe Toni Cezar leu minha nomeação que trazia, entre outras atribuições: “faça com que a Palavra de Deus seja integralmente anunciada aos que vivem na Paróquia; cuide que os fiéis sejam instruídos na verdade da fé”. E um dia antes de minha ordenação Sacerdotal, na capela da residência episcopal diante do Bispo, de minha mãe e de Jesus Eucaristia fiz a seguinte e solene profissão de Fé: “presto minha adesão com religioso acatamento de vontade e inteligência às doutrinas enunciadas, quer pelo Romano Pontífice, quer pelo Colégio dos Bispos, ao exercer o Magistério autêntico, ainda que não sejam proclamadas por ato definitivo”. Isto tudo não foi um teatro. O padre não pode brincar de ser padre. Eu sou um padre da Igreja Católica Apostólica Romana e estou aqui para confirmar a comunidade paroquial na fé cristã autêntica, assim como todos os demais irmãos no sacerdócio. A Igreja não é do padre, do Bispo ou do Papa. Ela é de Deus e a Ele devemos subserviência legítima. Naquele mesmo dia, na capela da residência episcopal, eu professava: “Firmemente também acolho e guardo todas e cada uma das afirmações que são propostas definitivamente pela mesma Igreja, a respeito da doutrina sobre a fé e os costumes”. Sim. E ainda professei: Com firme fé também creio tudo o que na palavra de Deus escrita ou transmitida se contém e que é proposto como divinamente revelado e de fé pela Igreja, quer em solene definição, quer pelo magistério ordinário e universal.
 
Todos os padres devem prestar estes juramentos antes de serem ordenados. O padre não pode reinventar a Igreja, a teologia ou a tradição. O padre não vai reinventar a roda. Deve ser somente um homem obediente. Outro dia ouvi de um Bispo: Não precisamos de padres que pensem, pois os que pensam destruiram a Igreja. Concordo em termos com ele. Eu ouvi exatamente isto ontem de um padre que dizia: A Igreja precisa mudar! E hj eu meditava: Como o Papa é sábio no que faz. Que o Senhor conserve-lhe longa vida. Mas, não se preocupe. Correm rumores que é do interesse do Santo Padre mudar esta situação de Salvador. Foi por isso que os dois auxiliares já foram despachados e o Arcebispo tão logo renuncie, será sucedido por um bispo um tanto mais ortodoxo. No entanto, será para o futuro, uma briga bonita de se ver… rsss… não perca as esperanças. O papa vigia por ti e por nós!
 

Por: Padre Luis Fernando

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comentários
  1. Vi também a resposta no pagina de recados do orkut. Agradecido Rafael a voce e ao padre Luis Fernando pela a atenção.

  2. Elyseu disse:

    AS VÁRIAS FACES E DISFARCES DO ESPIRITISMO-ANIMISMO, OCULTISMO, MAGIA, NOVA ERA/NWO E CONEXÕES COM O SATANISMO
    A Igreja Católica proíbe a idolatria, como: consultar advinhos, cartomantes, tarô, kardecistas, mães/pais-de-santos e horoscopistas; idem, tatuar-se de cobras, escorpiões lagartos, sinais externos de pertença ao demônio, portar amuletos, figas, patuás para evitar o mal e atrair o bem, recitar “orações fortes”, correntes de oração, evocar mortos, frequentar umbanda, candomblé, vodu, ir a igrejas evangélicas, quase todas – anúncios a rodo – adotantes de mesmas práticas espíritas, como expulsão de supostos maus espíritos e afastar malefícios, turbinar a vida financeira, admitir a herética teologia da prosperidade – a teologia do “ter”, não do “ser” etc. – tentam a Jesus como o diabo, querendo usá-lo por interesses, são práticas condenáveis pela Igreja, pois há sensível participação de forças ocultas.
    Não é de duvidar também que muitas das supostas manifestações, comunicações mediúnicas de espiritismo são fraudes de mágicos, ocultismo ou sugestões hipnóticas de cura; aliás, não existe católico-espírita, apenas um espírita que se diz católico, como os admitentes das teorias e práticas doutro ramo, o kardecismo.
    Incluem-se sedutores filmes de aparências inocentes, estilo Harry Potter, Anime Naruto, filmes envolvendo “diabinhos, monstrinhos”, etc., revistas de “bruxinhos” etc, de aparências ingênuas, mas bem engendradas maquinações de satanás indo sutilmente envolvendo a mente especialmente das crianças, aderindo às práticas até à subversão total; o método do diabo é: apertar o cerco aos poucos, até chegar à captura definitiva da pessoa a ponto de quase obstruir uma reeducação cristã.

    Idem, o mesmo conceito perverso se atribui às religiões orientais, também algo filosóficas como as práticas meditacionais da Yoga, Seicho-no-ye e outras “holísticas” de curas integrais em que há explícito panteísmo e deísmo subjetivo, em que a pessoa por práticas meditacionais pode integrar se a Deus…
    Quem diria: deixar-se submeter ao aparente inocente hipnotismo é perigoso, com riscos de dependência de mentes perversas e outros negativos; idem é o “setting” ou espiral de silêncio – a lavagem cerebral – adotado por igrejas evangélicas onde o pastor doutrina ideologias religiosas em amplificadores aos berros, gesticulando com interpelações ininterruptas e condenações às pessoas – em silêncio absoluto e concentradas nele – e nesse momento pedem dinheiro, cobram, insistem, ameaçam… São momentos em que há interferência no cérebro e a não seguidores do proposto pode causar submissão e dependência… Há de se tomar muito cuidado!
    Aliás, há igrejas evangélicas escolhendo pastores mais por dotes oratórios e manipuladores de multidões, atores de cenas teatrais e novelescas que reais conhecedores doutrinários…
    A Deus pertence o futuro e toda vez que, de alguma forma tentamos desvendá-lo, ou conhecer o oculto, para fazer ou não acontecer algo, somos tentados e consentimos no orgulho e soberba ao assim agirmos: o querermos ser como Deus, de forma implícita no mínimo; dominar o invisível à nossa volta, de forma a mantê-lo sob controle de nossos ideais e interesses.
    Há várias referências bíblicas à condenação dessas atitudes idolátricas, no AT: em Dt 18,10, Jr 28,29 2 e Is 8,9 Rm, etc., e no NT como em Mt 6,24 e Lc 16,13: Ninguém pode servir a dois senhores… E em todos e a Igreja adverte de não prática dessas ações, graves desvios na fé cristã. Confira o Catecismo Católico: 2115- 2117.
    Sem dúvida, é atestado público de desconfiança na pessoa e poder de Jesus de nos proteger e salvar plenamente, já que por duvidar ou achar que não nos protege ou atende o suficiente, recorremos a outras “forças ocultas” para suprir tal deficiência que julgamos existir de alguma forma de sua parte; quem assim procede e se mantém, está dominado; é desde já comparsa de satanás para a eternidade afora…

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