Concílios Cristológicos e o combate as Heresias.

Publicado: 13 de setembro de 2010 por Rafasoftwares em Teologia

Vendo a grande necessidade que se tem de explicar alguns fatos históricos, doutrinários e dogmáticos da Igreja, resolvi fazer uma série de matérias para mostrar os fiéis católicos e também não católicos o que realmente aconteceu em momentos chaves da História da Igreja. Fatos que hoje vemos por ai deturpados e manipulados por muitas pessoas. Começarei com 2 concílios importantíssimos para a fé Cristã, Nicéia e Éfeso. Esses estudos serão baseados na matéria cristologia, ministrada no curso de teologia da Universidade Católica de Salvador e no livro Introdução a Cristologia.

Concílio de Nicea ou Nicéia – Ano 325

Problemática: Ário, Sacerdote Alexandrino, (por influencias helenistas[gregas]) negava que o filho de Deus fosse de natureza Igual ao Pai. Para ele, o Filho de Deus foi “gerado” (genetos) “feito”. O filho era inferior ao Pai. Afirmava que o filho de Deus tinha sido criado no tempo. Houve um tempo que o verbo não era.

Afirmar com propriedade a divindade do filho preexistente parecia contradizer tanto o monoteísmo da bíblia como o conceito filosófico da unicidade absoluta de Deus. Daí vem, precisamente, a argumentação de Ário, aduzindo de um lado, alguns textos do Antigo Testamento, especialmente Pr 8, 22 e, do outro, apelando para a “monarquia” divina, o neoplatonismo e a filosofia estóica do logos-criador.

Significado: o que se define é que o filho de Deus é tão divino quanto o Pai e igual a ele na divindade. Reconhece Cristo como filho de Deus. Palavras-chave: Unigênito (monogenés); substância (ousia); gerado (gennetos); da mesma substancia do Pai (homousis); fez-se carne (sarkótheis); fez-se homem (enanthrópésas).

Atualidade: o Concílio defendeu que Jesus é divino e humano. Ele é consubstancial ao Pai no Espírito e consubstancial a nós pela natureza – nesse Concílio produz-se o credo. Iluminado pelo Espírito Santo e esclarecido pelos Grandes Pais da Igreja, o Concílio definiu Jesus Cristo como Verdadeiro Deus, da mesma substancia (homoúsios) divina que o Pai. Principais atores: Constantino; Ário; Antanásio.

O Concílio de Nicéia (325), com a sua tentativa de explicar e estabelecer a “divindade” de Cristo, foi o marco que deu o novo ímpeto à interpretação do dogma “cristão”. Este concílio marcou o começo duma era, na qual concílios gerais da Igreja procuravam definir dogma com cada vez mais precisão.

Nicéia não é exemplo de helenização, mas de desenlenização, ou seja, exemplo de libertação da imagem cristã de Deus do impasse e das divisões para os quais o helenismo estava levando. Não foram os gregos que produziram Nicéia; foi Nicéia que superou os filósofos Gregos… A. Grillmeier.

Já discorremos sobre a Existência, no Novo Testamento, de dois enfoques na Cristologia, o “debaixo” e o “do alto”, e sobre a transição progressiva de um a outro.

Não Obstante a evidência geral, na transição pós bíblica, da mudança definitiva da abordagem funcional para a ontologia, ambas continuam existindo.

A Cristologia “de baixo” parte do homem Jesus, isto é, da condição ou natureza humana de Jesus, para se alçar até a sua divindade do filho de Deus. Na direção oposta, desenvolveu-se uma cristologia “do alto”, que tomou como ponto a partida a união na divindade do filho de Deus como o Pai, daí seguindo para a afirmação da verdadeira humanidade por ele assumida no ministério da Encarnação.

Nicéia mostrou, pois, o vinculo estreito entre Soteriologia (Estudo da Salvação) e Cristologia, entre o que Jesus é para nós e o que ele é em si mesmo. A Cristologia de Nicéia encaminha-nos, pois, a novas intuições do mistério de Deus: Jesus Cristo é verdadeiramente Deus, por que é o verdadeiramente filho de Deus.

Nicéia, diante da situação, usa a linguagem filosófica tentando unir as duas realidades: linguagem bíblica, que podemos chama – lá de contexto histórico-cultural e, a segunda sintonizada com o ambiente cultural de hoje.

“O Verbo de Deus fez – se homem e o filho de Deus fez – se filho do homem, para que o homem entre em comunhão com o Verbo de Deus, e por adoção, se torne filho de Deus. Realmente, não poderíamos ganhar de outra forma a eternidade e a imortalidade… se antes o Eterno e Imortal não se torna – se aquilo que somos” Santo Irineu

Algumas retificações:

Algumas pessoas dizem que a Igreja católica foi Criada nesse ano de 325, por que Constantino, que era o imperador, convocou  tal concílio, então ele supostamente ai teria Fundado a Igreja. Como vemos nessa explanação sobre o concílio de Nicéia, apesar do imperador ter o convocado, nada mais foi do que um concílio que defendeu a divindade de Jesus(e o confirmou como DOGMA de Fé), pra o combate a heresia Ariana e  a unidade da Igreja. Constantino ofereceu o transporte e a hospedagem aos bispos, pois tinha o interesse da unidade da Igreja, visto que muitas pessoas importantes tinham se tornado Cristãs e não seria uma boa  para ele ter essas divididas, apesar de ainda continuar pagão e só ser batizado no leito de morte.

O Papa da época Silvestre I (devido a locomoção ou problemas de saúde), não esteve presente nesse concílio, mas enviou seus representantes, podemos confirmar isso vendo a ata de assinaturas onde as primeiras assinaturas são as de seus representantes. A maioria dos Bispos veio do oriente, o que vale para os quatros concílios. Motivo: facilidade de participação e maior interesse teológico da parte oriental. Diferente dos ocidentais, os orientais vibraram com as questões teológicas e, para defender a verdade, achavam válida uma boa briga.

Concílio de Éfeso – Ano 431

Esse é um concílio que até hoje muitos pegam afirmações isoladas do contexto para afirmar que a Igreja Católica está cometendo heresias ao firmar certos Dogmas, mas vamos explicar tudo corretamente e ver como se dá a realidade do concílio.

Problemática: Em Éfeso, como em Nicéia, o problema era como entender a divindade de Jesus Cristo. Mas essa Questão foi vista sob perspectivas opostas num concílio e noutro. Em Nicéia, parte-se de baixo: Jesus é verdadeiramente Filho de Deus? Em Éfeso, ao contrário, parte – se do alto: Em que sentido e de que modo o Filho de Deus se fez homem em Jesus Cristo?   A questão, agora, é, diretamente, com o Filho de Deus e não mais com o homem Jesus e segue, conforme Jo 1, 14, o movimento da “encarnação” do Filho de Deus, para Inquirir a realidade e o modo de sua missão como homem Jesus.

Há nas duas visões o perigo de se criar distância entre Deus e o homem Jesus, mas, se em Nicéia isso significaria que Jesus não era verdadeiramente Deus, em Éfeso faria entender que o Filho de Deus, não sendo realmente Igual a ele, se apartasse do homem Jesus. Estava em foco, pois, a unidade de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. E ai se insere um escândalo do Filho de Deus. Dá para imaginar que o filho eterno de Deus tenha se sujeitado a si mesmo ao processo de desenvolvimento humano, a humilhação e à morte?

Nestório de Antioquia, depois patriarca de Constantinopla, tomou a questão da verdadeira unidade divino-humana de Jesus Cristo na direção ascendente, ou seja, a partir de baixo. Partindo, como a tradição antioquena, do homem Jesus, questionou o modo como ele se teria unido ao filho de Deus. Perfilhava, portanto, uma cristologia, do homo assumptus. Em pólo oposto, o bispo de Alexandria, Cirilo, defendia a perspectiva a partir do alto. Ele se perguntava, partindo do Verbo de Deus, como teria este assumido uma humanidade autentica em Jesus Cristo. Professavam, então, uma cristologia do logos-sarx.

Nessa contenda entre Nestório e Cirilo, sabe-se que pairava ambigüidade e confusão na terminologia. Ao falar de “uma só natureza” (physis) em Jesus, Cirilo entendia a unidade da pessoa (hypostasis), enquanto Nestório, aludindo a duas “naturezas” (physis), parecia realmente referir-se a duas pessoas (prosópon).

Agora vamos tratar de uma parte bem delicada e decisiva tratada neste concílio, que hoje não é aceita pelos protestantes, devido a deturpações históricas e a não aceitabilidade da autoridade da Igreja por eles.

Essa parte foi quando Nestório recusou a atribuir ao Verbo de Deus em pessoa as vicissitudes da existência humana de Jesus. Particularmente, o fato do homem Jesus ter sido gerado não poderia referir-se ao Filho de Deus e, por conseguinte, Maria não poderia ser chamada de “Mãe de Deus” (Theotokos), apenas “Mãe de Cristo” (Kristotokos). Surgiram, assim, dois sujeitos distintos: o Verbo de Deus, de um lado, e Jesus Cristo, de outro. Nestório concebia a unidade entre ambos em termos de “conjunção” (sunapheia), supondo, dessa forma dois sujeitos concretamente existentes.

Em outras palavras Jesus não seria Deus, seria um homem comum que teria sido habitado pelo Verbo de Deus. Por tanto não crer Maria como Theotokos (Mãe de Deus), significa necessariamente não crer que Jesus é o próprio Deus em Pessoa humana. Claro que ai o fato de ela ser chamada de Mãe de Deus não quer dizer que ela seja maior que Deus, mas sim que ela portou um Deus em seu ventre. Nossas mães nos geraram em seus ventres e são nossas mães, mas isso não significa que elas nos criaram.

Portanto a definição de Theotokos é nada mais, nada menos que a confirmação da divindade de Jesus.

Mas por que os protestantes duvidam disso? Além de não aceitarem a autoridade da Igreja, alguns fantasiam a história de que Diana (ou Artemis) (At. 19, 23-40) teria sido substituída por Maria como deusa dos Efésios, o que é um absurdo, pois como vimos além desse concílio ter combatido a heresia Nestoriana, destruiu de vez a adoração a Diana e realmente confirmou Jesus com DEUS encarnado, puro e único!

Feitos as devidas declarações, aqui me despeço.

In Cord Jesu, Semper,

Rafael Rodrigues.

comentários
  1. […] uma parte da série que estou postando sobre os Concílios, quem não leu a primeira matéria Clique aqui para Lê-la, é importante para que entenda […]

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