A Igreja Fundada Por Cristo – Parte II

Publicado: 6 de julho de 2010 por Rafasoftwares em História da Igreja

Continuação…

Mas, vejamos mais alguns questionamentos de protestantes:

1) Muitos outros homens e mulheres da Bíblia também já tiveram seus nomes modificados, como Abrão, para Abraão; Sarai, para Sara; Jacó, para Israel. Logo, poderia-se concluir, que a mudança de nome, em nada caracteriza algo de muito importante a Pedro, visto que ele não foi o único a ter o nome modificado por Deus?

Resposta: Todos estes que tiveram seus nomes alterados por Deus significou sim mudança de vida e missão especial. No caso dos homens, liderança. Vejam algumas destas “mudanças” de nome e a missão lhes confiada logo após:

Abrão (Gn 11:26): pai exaltado
Abraão (Gn 17:5): pai de multidão

Missão: Aos 99 anos o patriarca Abraão tem um filho e passa a ser líder do povo hebraico, pai dos judeus e do judaísmo (Gn 15, 16 e 17).

Sarai (Gn 11:29): minha princesa.
Sara (Gn 17:15): princesa, soberana.

Missão: Sara era infértil mas era consolada por Deus (não pode gerar filhos). Ao ser tornada fértil (gera filhos) por Deus já de idade bem avançada, 90 anos, gera os primeiros descendentes hebreus, judeus, com seu esposo Abraão (Gn 17, 17.19; 18, 9-14). Se tornando assim a matriarca soberana de todos os judeus.
Consultar: http://www.chabad.org.br/interativo/FAQ/sara_sarai.html

Jacó (Gn 25:25): Sorrateiro, astuto, esperto
Israel (Gn 32:28): que lutou com Deus

Missão: Jacó é gêmeo de Esaú, são filhos de Isaac, netos de Abraão (Gn 25, 21-25). Jacó se disfarça de Esaú e enganosamente toma a bênção do já idoso Isaac (Gn 27). Ao lutar com um anjo de Deus, vence, e este muda seu nome para Israel. Jacó, tem 12 filhos que dão origem às doze tribos de Israel (Gn 35:23; 49:28).

Saulo (At 7:58): o desejado
Paulo (At 13:9): pequeno

Missão: Perseguia os cristãos, mas, desejado por Deus, se torna o ‘menor’ dos Apóstolos, mas, é o que mais viaja em missão e mais escreve. Ou seja, humildade na missão de evangelizar (At 9, 1-18; 1.ª Cor 15:9).

Veja mais significados de nomes bíblicos
http://www.revolucaoespiritual.com.br/canais/curiosidades%20nomes.htm

Dentre estes, a mudança de Simão para Pedro é especial, pois tem ligação direta com a fundação, construção, e edificação da Igreja de Cristo numa Nova Aliança selada pelo Sangue do Deus Filho na Cruz.

2) Jesus proibiu que um deles reinasse, e fosse superior (Lucas 22:25-26), Pedro não mandava mas obedecia aos outros discípulos (Atos 08:14), quando houve uma reunião, se Pedro fosse ‘papa’ quem deveria dirigir seria Pedro, mas quem dirigiu foi Tiago (Atos 15:13 : “falou Tiago, dizendo: Irmãos, atentai nas minhas palavras”) Em suma: Se Pedro fosse o papa, por que ele não teve a última palavra no primeiro concílio da igreja primitiva, em Atos 15? Além do mais, Jesus prometeu tronos a todos (Mateus 19:29 e Mateus 18:18). Como Paulo teria a audácia de exortar ao “chefe” da igreja e repreendê-lo na cara?

Resposta: Para Jesus falar que quem fosse maior fosse o menor em Lc 22,26, era porque havia o que fosse o maior dentre os apóstolos, mas que este, deveria ser humilde e servo. Logo, Jesus não é contra hierarquia, mas, contra o autoritarismo. Tiago não presidiu o Concílio de Jerusalém, pois, na hora em que houve polêmica e confusão quem retomou a ordem e deu a decisão sobre o assunto foi Pedro (vers7), Tiago, como Bispo de Jerusalém e uma das colunas da Igreja, repetiu o que Pedro disse para confirmar. Em At 8:14, diz que os apóstolos enviaram Pedro e João para a missão, e assim o é até hoje. O Papa não se escolhe, é escolhido pelos Cardeais (bispos mais próximos a eles), e por eles conseqüentemente é enviado a missão papal, em Nome de Cristo.

3) Pedro era muito diferente daquele que quer ser chamado ‘papa’, pois Pedro não admitia ser adorado (Atos 10:25-26) Se Pedro não queria ser venerado, por que fizeram, no Vaticano, uma estátua, na qual dizem ser Pedro para as pessoas adorarem? Algo está errado, pois Pedro não adorava imagens e Pedro ensinava que as imagens são abomináveis, ou seja, nojentas (I Pedro 04:03).

Resposta: Sobre adoração acesse o tópico da aula “Imagens x Idolatria”. Quando as pessoas se lançavam aos pés dos apóstolos por respeito e súplica, pois, viam neles sinais da presença de Deus, Pedro nada advertia (At 16:29), mas em At 10:25 a Bíblia deixa claro que Cornélio se lançou aos pés de Pedro porque queria adorá-lo, o que é bem diferente. Prestamos homenagens a todo aquele que tenha sido sábio servo de Deus (Eclo 18,28)

4) Pedro, escreveu somente duas cartas e tem a vida narrada nos evangelhos e em Atos. Se Pedro fosse realmente o líder, ele é quem deveria ter pregado por toda a Ásia antiga e ter escrito muitas cartas, ao invés de Paulo!

Resposta: Ser o mais escritor ou mais missionário, não significa ser líder. O mundo é muito grande para que só o Papa evangelize. Pedro viajou bastante, e outros apóstolos também, Paulo foi o que viajou mais e escreveu mais, porém, não era o líder da Igreja, pelo contrário reconhecia a autoridade dos apóstolos, recorrendo a eles em questões mais complexas como a que gerou o Concílio de Jerusalém, na qual Pedro decidiu (At 15, 1-2). São Francisco Xavier evangelizou em muitas regiões também, mais do que o Papa, no entanto estava a serviço da Igreja, liderada pelo Papa em Nome de Cristo.
A HISTÓRIA E O PAPADO DE PEDRO EM ROMA
Alguns protestantes gostam de citar respeitados historiadores para fazerem afirmações anticatólicas, porém, citam suas palavras pela metade e escondem outras afirmações por completo. Poderíamos citar muitas longas passagens completas e reconhecidamente autênticas (porém ocultadas por muitos) da parte de quem conhece os documentos do início do Cristianismo, deixados por S. Irineu, Caio, S. Cipriano, S. Agostinho, S. Optato, S. Jerônimo, Sulpício Severo, que atestam “unânimes” o episcopado de S. Pedro em Roma. Limitemo-nos a umas curtas citações, dos séc I e II, para não se dizer que foram invenções de Constantino e de Romanistas… Então, vejamos o que a História da Igreja tem registrada desde os primeiros séculos, não sendo portanto uma invenção católica:

Missão de Pedro em Roma:
Segundo os historiadores da época, Pedro chegou em Roma por volta de 42/44 d.C.. (História da Igreja II – XIV). A estadia de S. Pedro em Roma é incontestável historicamente. Sobre ela atestam Orígenes (ano 254), Clemente de Alexandria (215), Tertuliano (222), S. Irineu (202), Dionísio (171). Do século primeiro, convém destacar S. Inácio (107) e Clemente Romano (101). Esses historiadores e testemunhas são reconhecidos, pela crítica moderna, como autoridades dignas de fé.
Existe uma série ininterrupta de testemunhos do Século III, e isso sem uma voz discorde.
Em Cartago e em Corinto, em Alexandria e Roma, na Gália como na África, no Oriente como no Ocidente, A VIAGEM DE S. PEDRO A ROMA É AFIRMADA UNANIMEMENTE COMO FATO, e sobre o qual não pairou nunca a mínima dúvida.
Clemente de Alexandria ( + 215) diz: “Marcos escreveu o seu Evangelho a pedido dos Romanos que ouviram a pregação de Pedro” (Hist. Ecl. VI, 14).

Fundação da Igreja de Roma por Pedro e Paulo:

Santo Irineu (+ 202) escreve na sua grande obra “Contra as Heresias”: “Mateus, achando-se entre os hebreus, escreveu o Evangelho na língua deles, enquanto Pedro e Paulo evangelizavam em Roma e aí fundavam a Igreja” (L. 3, c. 1, n. 1, v. 4).

Preeminência da Igreja de Roma:

Irineu de Lião (séc II), nasceu na Ásia Menor e era discípulo de Polycarpo de Esmirna (que por sua vez, foi discípulo de São João), passou um tempo considerável em Roma logo após a metade do segundo século, e então, foi para Lião, na França, onde se tornou bispo em 177; de lá descreveu a Igreja de Roma como sendo a mais proeminente e principal conservadora da Tradição Apostólica, como “a maior e mais antiga Igreja, conhecida por todos os cristãos, fundada e organizada em Roma por dois dos mais gloriosos Apóstolos, Pedro e Paulo” (conf. Adv. haer., III, III; cf. III, I). Diz ser a Igreja Romana a “máxima” e fundada pelos apóstolos Pedro e Paulo, e mais: “Com tal Igreja [de Roma], por causa da sua peculiar preeminência, deve estar de acordo toda Igreja, porque nela… foi conservado o que a partir dos Apóstolos é tradição” (Contra as Heresias 3, 2).

Do mesmo modo que Irineu, Tertuliano (séc II) também invoca, nos seus escritos contra os hereges, como prova da verdadeira Tradição Eclesiástica o labor Apostólico de Pedro e Paulo em Roma. Em (“De Praescriptione”, XXXV), ele diz: “Se tua arte está perto da Itália, tu apresse a chegar em Roma onde a AUTORIDADE sempre está dentro do alcance. Quão afortunada é esta Igreja para a qual os Apóstolos derramaram o ensinamento deles com o próprio sangue, onde Pedro viveu a Paixão do SENHOR e onde Paulo foi coroado com a morte igual a João Batista”. Em (“Scorpiace”, XV), ele também fala da crucificação de Pedro. “A fé que brotava em Roma, Nero transformou em sangue. Lá Pedro foi cingido por outro, desde que ele foi ligado à cruz”.
Agostinho (anos 300s) se referia assim a Roma: “Roma Locuta, Causa Finita – Roma falou, a causa está encerrada.” (Santo Agostinho – Sermão 131,10).

No ano 110 (séc II), Santo Inácio de Antioquia, em sua Epístola aos cristãos da Igreja de Roma inicia assim: “Inácio, também chamado Teóforo, à Igreja que recebeu a misericórdia por meio da magnificência do Pai Altíssimo e de Jesus Cristo, seu único Filho; […] à Igreja da região de Roma, digna de Deus, digna de honra, digna de ser chamada feliz, digna de louvor, digna de sucesso, digna de pureza, que preside ao amor, que porta a lei de Cristo, que porta o nome do Pai: eu a saúdo em nome de Jesus Cristo, filho do Pai”2 (Ign.Rom., Intro) “Tu, [Igreja de Roma], ENSINASTES AS OUTRAS. E eu quero que permaneçam firmes as coisas que tu prescreves pelo teu ensino” (Rom, IV, 1). [Caps lock meu]

Martírio de Pedro por crucificação a ordem de Nero:

Orígenes (+ 254) diz: “S. Pedro, ao ser martirizado em Roma, pediu e obteve fosse crucificado de cabeça para baixo” (Com. in Genes., t. 3).

Tertuliano (+ c. 222), por sua vez, diz: “Nero foi o primeiro a banhar no sangue o berço da fé. Pedro então, segundo a promessa de Cristo, foi por outrem cingido quando o suspenderam na Cruz” (Scorp. c. 15).
Dionísio (+ 171) escreve ao papa Sotero: “S. Pedro e S. Paulo foram à Itália, onde doutrinaram e sofreram o martírio no mesmo tempo” (Evas. Hist. Eccl. II 25).

Clemente de Roma, 3.º sucessor de Pedro, em sua Epístola aos Coríntios (95-97 dC/Séc I), em que ele diz: “Por zelo e astúcia O MAIOR e a maioria dos Discípulos íntegros (da Igreja) sofreram perseguição e foram levados à morte. Coloquemos diante de nossos olhos o bom Apóstolo São Pedro, o qual foi submetido a um tratamento injusto e cruel, sofrendo numerosas misérias, e assim, tendo dado testemunho do SENHOR, foi martirizado, e entrou no lugar merecido da glória”. DEPOIS, ele menciona Paulo e vários outros eleitos que juntos ou isoladamente, sofreram o martírio “entre nós” (hemin de en, i.e., entre os romanos, IV). Clemente de Roma está se referindo a perseguição que Nero covardemente fez aos cristãos, e aqui, ele coloca em realce o martírio que Pedro e Paulo sofreram naquela época.

Santo Inácio (+ 107), Bispo de Antioquia, que conviveu longos anos com os apóstolos. Condenado por Trajano, fez viagem para Roma, onde foi supliciado, tendo escrito antes uma carta aos Romanos onde diz: “Tudo isso eu não vos ordeno como Pedro e Paulo; eles eram apóstolos, e eu sou um condenado [pelo império]” (ad Rom., c IV).

Tertuliano (séc II) e Orígenes (conforme História Eclesiástica, II, Eusebius Pamphilus, Bispo de Caesarea – 265/339): “Pedro foi crucificado em Roma com a cabeça para baixo, como ele tinha desejado morrer”.

Clemente Romano (+101), 3.º sucessor de S. Pedro, escreve: “Ponhamos diante dos olhos os bons apóstolos Pedro e Paulo. Pedro que, pelo ódio iníquo, sofreu; e depois do martírio, foi-se para a mansão da glória. A estes santos varões, que ensinavam a santidade, associou-se grande multidão de eleitos, que, supliciados pelo ódio, foram entre nós de ótimo exemplo”.

Sucessão Apostólica – aqui se diferencia a missão de Pedro da missão de Paulo:

S. Ireneu (202dC): “Os apóstolos Pedro e Paulo fundaram a Igreja [em Roma], e O PRIMEIRO remeteu o episcopado a Lino, a quem sucedeu Anacleto e depois Clemente”.(Contra as Heresias. 3. 3. 2).

“Depois de ter assim fundado e edificado a Igreja, os bem-aventurados Apóstolos transmitiram a Lino o cargo do episcopado… Anacleto lhe sucede. Depois, em terceiro lugar a partir dos Apóstolos, é a Clemente que cabe o episcopado… A Clemente sucedem Evaristo, Alexandre; em seguida, em sexto lugar a partir dos Apóstolos, é instituído Sixto, depois Telésforo, também glorioso por seu martírio; depois Higino, Pio, Aniceto, Sotero, sucessor de Aniceto; e, agora, Eleutério detém o episcopado em décimo segundo lugar a partir dos Apóstolos” (Contra as Heresias III,2,1s).

Além disso, enquanto que Paulo tinha a missão de pregar aos pagãos, Pedro foi escolhido dentre todos com a missão específica de pregar aos pagãos (incircuncisos) e aos judeus (circuncisos), segundo o próprio Paulo (At 15:17; Gl 2, 7-8).

E tudo isso antes de Constantino existir, e sem temer que afirmar tudo isso sobre Pedro e Roma era risco de vida mortal na época!

Continua…


Aula por: Emerson.

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comentários
  1. Adam disse:

    Saulo (At 7:58): o desejado
    Paulo (At 13:9): pequeno

    Há muitas distorções e falácias, mas primeiramente quero informar-lhes, que Saulo, nunca teve seu nome mudado para Paulo. Saulo era o nome hebraico, e Paulo era o nome grego. portanto nunca teve mudança de nome. em simples palavras era como dizer que John(ingles) e João(portugues), são nomes de significados diferentes!

    Sola Escriptura!

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