A Igreja Fundada Por Cristo – Parte I

Publicado: 5 de julho de 2010 por Rafasoftwares em História da Igreja

É relativamente comum, volta e meia escutarmos a frase: “Jesus não fundou religião ou igreja alguma”. Isto seria verdade se considerássemos que fundar uma igreja seria adquirir um terreno, alvará, construir um templo, e fazer uma celebração de inauguração. Mas, fundar uma igreja não é necessariamente isso. Pelo menos não quanto a parte espiritual, a parte prática. Fundar é, antes da parte física, dá início há algo. Jesus deu início sim ao Cristianismo, ao conseguir seguidores que deixavam suas religiões para seguirem o Cristo, sendo então chamado de cristãos (At 11, 26). Igreja vem de ‘ecclesia’, e significa povo chamado, povo escolhido. Ao pregar e chamar as pessoas, Jesus estava reunindo um povo escolhido, uma igreja, para a Nova Aliança.

Jesus deixa isso bem claro quando pergunta para os discípulos e apóstolos Quem o povo dizia que Ele era (Mt 16, 13-15). Ao ouvir as mais variadas respostas, Jesus pergunta a eles mesmos: “Quem sou Eu para vocês?” Pedro é o único quem fala e dá uma resposta inspirada: “Tu és o Ungido, o Filho do Deus vivo” (Mt 16, 15-16). Pedro reconhece por revelação Divina que Jesus é o enviado, o Cristo do Pai à humanidade. E por esta revelação Jesus diz: “Feliz és Tu Simão, filho de Jonas, porque não foi nenhum ser humano quem te revelou isso, mas o Pai que está no Céu. E eu, te digo: Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja. E as portas do inferno não poderão vencê-la. Dar-te-ei as chaves do Reino dos Céus. Tudo que ligares na terra, será ligado no céu, e tudo que desligares na terra será desligado no céu.” (Mt 16, 17-19).

Analisemos então cada frase destas belíssimas, fundamentais e reveladoras palavras de Jesus:
“Feliz és Tu Simão, filho de Jonas…” – Assim que Jesus foi apresentado a Simão, por André, seu irmão, Ele faz uma importante e, na ocasião, uma misteriosa alteração no nome de Simão que recebe um acréscimo. Jesus olha fixo no olhar de Simão e diz: “Tu és Simão, filho de Jonas, serás chamado Céfas…” (Jo 1:42). Mudança no nome, mudança de vida. De Simão (Shimon-fraco, vacilante), para Céfas (Kéfas-pedra, rocha firme). Simão passa a ser conhecido também como Pedro, Céfas (Gl 1:18), ou Simão Pedro (Lc 5:8).

E porque só Simão recebeu este nome de Pedra? Jesus nada explicou do porquê de tal mudança, apenas perto de Seu Sacrifício relembra e explica o porquê em Mt 16: “Feliz és tu Simão, filho de Jonas…Tu és Pedra (Céfas/Kéfa), e sobre esta pedra edificarei a Minha igreja…” Jesus planejou ter Pedro como pedra para edificar, crescer, levantar, erguer a Sua igreja, daí Ele dizer que para isso Simão tinha que passar a ser firme, como uma rocha, e não mais ser indeciso. Mas, para isso Pedro teve que passar por uma tribulação muito grande que lhe amargurou a alma. Pedro negou que conhecia Jesus por três vezes (Lc 22:61; Mt 26, 69-75), ali ficou claro que não era só pelas forças de Pedro que ele iria ser firme na fé, embora assim o quisesse ardentemente (Mt 26:35).

E quando Pedro já pensava em voltar a ser um mero pescador de peixes ao invés de pescar almas para Deus, mesmo já tendo visto Jesus ressuscitado, Cristo reaparece aos discípulos e de forma semelhante renova o chamado de Pedro, realizando mais uma pesca milagrosa, tal como no início de seu chamado (Lc 5, 1-11). E Jesus pergunta a Pedro, e só a Pedro, por três vezes: “Pedro, tu me amas mais do que estes?” Veja, Jesus não perguntou se Pedro amava Jesus mais do que amava os outros apóstolos e discípulos, mas sim, se Pedro era o que mais amava Jesus, mais do que os outros poderiam amar o Cristo. Ou seja, se dentre todos aqueles, Pedro era o que mais O amava. Pedro, mesmo constrangido pelas três negações anteriores, respondeu que ‘sim’, por três vezes e ouviu dos lábios santíssimos de Jesus a seguinte confirmação: “Apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21, 15-17). Esta ordem de ser pastor das ovelhas de Cristo, acima dos demais Apóstolos que também apascentavam o rebanho de Cristo (pois, Jesus a afirmação de Pedro de que ela era quem mais O amava) não foi dada a nenhum outro apóstolo, pois, Jesus fala de forma muito específica a Pedro. As três afirmações de amor feitas por Pedro, apagaram naquele momento as três negações. Jesus deixou claro que Pedro precisava reconhecer-se pecador, mas que com a Graça de Deus ele manteria a firmeza para se levantar das quedas.

A firmeza em Pedro passou a ser vista claramente quando Cristo enviou o Espírito Santo, e Pedro proclamou com coragem o que estava acontecendo, e converteu naquela ocasião, cerca de 3 mil pessoas (At 2). Alguns cristãos afirmam que na língua grega Jesus chama Pedro de petros (pedregulho) e afirma que sobre a petra (pedra, rocha firme) é que edificaria a igreja. Fazendo assim uma suposta diferença entre Pedro e pedra. Porém, Jesus não falava em grego para os discípulos, pois, eram judeus, e o Evangelho de Mateus foi escrito na língua dos judeus, daí tão sabiamente a própria bíblia deixar bem claro que Simão passara a ser chamado de Pedro e deixando em aramaico ou heraico) a expressão Céfas (Kefá-pedra), em qualquer tradução da Bíblia (Jo 1:42). Porém, alguns judeus messiânicos (que crêem em Cristo como Messias), afirmam que Céfas ou Kefá no original, é uma palavra hebraica que significa pedrinha, areia de pedra, grão de pedra, mas, contrariando tal afirmação, este site judaico abaixo, especialista em traduções em hebraico confirma que Kefá (Kepha) significa pedra e não pedrinha, pedregulho ou algo parecido. Pedro é apenas a forma masculina para pedra, tendo o mesmo significado. Como nos nomes pessoais Esmeraldo e Esmeralda, por exemplo, ambos são ligados a uma pedra preciosa, mas possuem forma masculina e feminina para nomear pessoas.

Jesus disse então Tu és Kéfá (pedra) e sobre esta pedra edificarei a minha igreja… Nada de pedrinha, pedregulho, areia de pedra…

www.geocities.com/horamesianica/terminologia.htm
[Tradução Kadosh Israelita Messiânica© das Escrituras]

Sites protestantes confirmando que tanto Kefá como Pedro significam pedra, rocha.
http://www.vivos.com.br/127.htm
http://www.redeapostolica.com.br/index.php?page=conteudos&id=327

No entanto, Pedro não é a pedra angular, aquela que deu início a tudo. Numa construção a pedra de ângulo é aquela colocada primeiro e que direciona toda o rumo da obra. Só Jesus é esta Pedra angular, Pedro foi a primeira pedra colocada como Apóstolo, ele é citado primeiro na lista dos 12, e o primeiro dentre os doze a ver o Cristo ressuscitado de forma particular (Lc 24:34; 1.ª Cor 15:5), daí falarmos da Primazia de Pedro. Ele, junto com os Apóstolos e profetas também fazem parte do fundamento desta construção, que tem Cristo Jesus como pedra principal (Ef 2:20). Em Cristo todos nós também somos pedras vivas, como Pedro mesmo diz (1.ª Pd 2:5), mas, Pedro foi o primeiro dentre os Apóstolos, recebeu de Jesus autoridade única e a exerceu como veremos. Isto não faz dele igual, superior ou substituto de Cristo, mas, um líder da igreja em Nome de Cristo Jesus, guiado pelo Seu Espírito Santo. Logo, Pedro era o Seu representante maior após Ele ter subido aos Céus.

“…porque não foi nenhum ser humano quem te revelou isso, mas o Pai que está no Céu….” – Cristo vê em Pedro, e confirma aqui, que para ser um líder precisa ter discernimento do Espírito Santo. Falar em Nome de Deus. Isto é fundamental. Pedro é o único dentre os doze que faz esta declaração! Daí Jesus fala Só a ele: “Tu és pedra” “sobre esta pedra” ‘te dou as chaves do reino dos céus” “tudo que ligares…desligares”.

“…E eu, te digo: Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha igreja….” – Como vimos Jesus confirma a alteração do nome Simão para ‘Simão Pedro’, ou em hebraico, ‘Kefa Shimon’, volta e meia, chamado apenas de Pedro (pedra). E Jesus fala de uma construção espiritual acima de tudo. Mas, Jesus poderia edificar Sua Igreja sobre um ser humano??? Sim. Deus pode tudo. Nada é impossível para Ele. Mas, claro que Pedro não iria ficar à frente da Igreja de Cristo somente com suas forças e pensamentos humanos. Foi necessário um derramamento do Espírito Santo, sobre ele, os Apóstolos e seguidores (At 2). Sobre Pedro para falar pelo Espírito, e sobre os demais para o ouvirem de coração aberto e saberem aconselhá-lo quando preciso. Jesus subiu para a Direita do Pai, e a igreja precisava crescer, ser edificada em outros lugares, e onde já estava, daí precisar-se de um referencial ungido por Cristo. Este era Pedro. Sem esta referência como saber o que ensinar e como agir? Visto que cada um daria sua opinião, diria ter ouvido a voz de Deus, e pronto, ao invés de hierarquia, teríamos a anarquia, onde todo mundo “manda”. Hierarquia é organização, e toda igreja tem, ou deveria ter, o que Jesus não aceita é que alguém se ache o melhor por ter uma função “maior” na igreja, que se brigue ou se humilhe alguém por isso. Jesus diz: “Quem for o maior dentre vocês, seja o último…” ou seja, quem for o líder [logo, haveria um líder entre eles, até porque Jesus diz líder e não, líderes], seja um servo. Seja líder não seja um tirano (Lc 11, 25-26).

Porém, não é Doutrina da Igreja Católica dizer que Pedro seja a pedra angular, fundamental e principal, no sentido de ser igual ou maior, do que Jesus, mas a Igreja afirma que Pedro recebeu autoridade de Cristo: “…permanece o múnus [autoridade] de ensinar, que o Senhor concedeu singularmente a Pedro…” (CIC 862). A Bíblia afirma que os Apóstolos eram pedras do fundamento. Um fundamento é constituído por várias pedras fundamentais, mas existe a pedra fundamental principal, que é a chamada pedra angular, tanto a pedra angular como as demais pedras do fundamento formam o fundamento como um todo. Como estas pedras de fundamento são representantes diretas do Cristo Jesus, então tudo acaba formando e sendo o próprio Cristo, fundamento único (1.ª Cor 3:11). Os Apóstolos e profetas do AT são pedras fundamentais, mas, só Jesus é a pedra angular o que é bem diferente: “fostes edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, tendo por pedra angular o próprio Cristo Jesus…” (Ef 2:20) Pedra angular é aquela que é a primeira a ser colocada numa construção e que dá todo o direcionamento (ângulo) da obra (Sl 118:22; Mc 12:10; At 4:11). Depois da pedra angular (Jesus), vêm as demais pedras importantes e mais resistentes do fundamento (apóstolos e profetas At 1:42), e depois são erguidas as demais pedras da construção para elevá-la, crescê-la, levantá-la (o povo de Deus em geral), pedras vivas desta obra de Cristo (1.ª Pd 2, 4-5). A igreja cresce, ou seja, é edificada sobre o fundamento da pedra angular, acima de tudo. A pedra fundamental é apenas Cristo Jesus (1.ª Cor 3:11). Para entendermos as palavras de Jesus em Mt 16, precisamos falar um pouco sobre construção, diferenciando alguns componentes desta obra espiritual de Jesus na construção da Sua Igreja:

PEDRA ANGULAR – É a primeira pedra dentre todas as demais numa obra, é a que dá ângulo, direcionamento, a toda a obra::: Jesus Cristo (e só Ele).

PEDRA(S) – Aqui se refere a toda pedra presente na obra, com exceção da pedra angular: Todos os cristãos são pedras vivas desta obra, desde o fundamento, embora Pedro tenha sido a primeira pedra colocada dentre os apóstolos, após a pedra angular, daí ser o primeiro e único dentre os apóstolos e demais cristãos a receber do Cristo, em seu próprio nome, o sobrenome-título de Kefá (pedra);

FUNDAMENTO – É toda a base, alicerce, sustentação da obra. É formado por todas as pedras mais importantes – O fundamento é Jesus, tanto na Sua própria pessoa [pedra angular] como no testemunho dos apóstolos e profetas sobre Ele [demais pedras deste mesmo fundamento];

EDIFICAÇÃO – É o crescimento da obra, sustentada pelo fundamento (Cristo e a pessoa Dele no testemunho dos apóstolos e profetas). Dentre estes testemunhos, Jesus destacou Pedro, o qual foi o que mais precisou usar da autoridade em Cristo, ser firme como rocha, para doutrinar, resolver questões polêmicas, fazendo crescer (edificando) a Igreja, em Nome de Cristo (Ez 3:9). Firme na Rocha Suprema que é Deus (Sl 18:3), e desta rocha é tirada as pedras para esta obra eclesial (IS 51:1). Somos pedras Nele.

Alguns protestantes e judeus messiânicos (judeus que não são cristãos mas já crêem em Jesus como o Messias), para negarem a autoridade de Pedro, afirmam que quando Jesus diz “..sobre esta pedra edificarei a minha igreja…” Ele estaria dizendo que a “pedra” em Mt 16 não é Pedro e sim a confissão de fé que Pedro fez. É claro que a confissão única de Pedro naquele momento moveu Jesus a declarar quem era a pedra, e serviu de firmeza para sustentar Pedro, e também aos demais apóstolos e a todos os cristãos, pois, é a fé em Cristo que sustenta cada fiel (Mt 16:18;

S.Leão Magno Sermão 4,3; Jd 1:2; Hb 11:1; CIC 153.424).. Mas, nesta ocasião Jesus fala só a Pedro, e não está se falando da pedra angular, e sim da pedra de edificação junto a ela, que é Pedro. Pois, em mt 16 Jesus nada menciona nada sobre pedra angular. Jesus fala neste capítulo da pedra de edificação e não da pedra angular, que é Ele mesmo. Se Jesus estivesse falando Dele mesmo em Mt 16, deveria dizer algo assim a Pedro: ‘Tu és pedra, mas sobre a pedra angular é que edificarei a minha igreja’, ou seja, sobre Ele mesmo, Jesus, é que seria edificada a igreja. E de fato o é na essência. Porém, quando Jesus ou mesmo a Bíblia querem falar do Cristo usam claramente a expressão ‘pedra angular’ para diferenciar das demais pedras de fundamento (Sl 118:22; Is 28:16; Zc 10:4; Mt 21:42; Mc 12:10; Lc 20:17; At 4:11; Ef 2:20; 1.ª Pd 2, 6-7). Em Mt 16 Jesus prepara e avisa a Pedro, falando da edificação da Igreja após sua ida ao Céu: Cristo diz ‘edificarei’ (futuro) e não, edifico (presente).

Está falando de Pedro, a pedra unida à pedra angular (Cristo), que direcionada por ela, deveria direcionar as demais, quando Jesus fosse para o Céu. Pela pedra angular (Jesus), a pedra de edificação (Pedro), deveria direcionar as demais pedras do fundamento (demais apóstolos) e demais pedras da construção (demais cristãos). Jesus passa a Pedro de forma particular tal autoridade Nele, pois:

O chama por primeiro para ser apóstolo (Mt 10:2; Mc 3:16; Lc 6:14), Jesus altera seu nome (Jo 1:42), provoca sua profissão de fé (Mt 16:16); dentre os 12 Pedro tem mais iniciativa, algumas vezes por impulso humano, mas, sempre corrigido nestes casos (Mt 14, 28-29; 15:15; 16:16; 17:4; 18:21; 19:27; 26, 33-35; Mc 8, 29.32; Mc 9:5; 10:28; 11:21; 14, 29-31; Lc 5:8; 9:20; 12;41; 18:28; 22:33; 24:12; Jo 6:68; Jo 13, 6-9.24.36-37; 18:10; 21, 20-21; At 1,13.15; 2, 14.37; 3, 1-6.11-12; 4, 8.13.19; 5, 1-9; 5:15 (a sombra de Pedro curava); 5:29; 8, 14.20; 9, 32.34.38ss; 10:5; 10, 34.44.47; 11:4; 15:7; ); sempre é citado primeiro ou na maioria das vezes é o único que tem o nome citado em meio aos demais (Mt 17, 1.17-25; 26:37; Mc 5:37; 9:2; 13:3; 14:33; Lc 6:14; Lc 8:45; Mc 16:17; Lc 8:51; 9, 28.32-33; 22:8; Jo 18:15; 20, 2-3; 21, 2-3.7.11) – com exceção de Gl 2:9 (porque Paulo se ‘decepcionou’ temporariamente com Pedro (Gl 2, 11-14) e em Jo 1:44 (porque narra o importante momento em que André apresentou Pedro a Jesus) – ; ainda que os 12 pudessem, Jesus diz só a Pedro, na ocasião, que ele poderá ligar e desligar (decidir), e lhe dá a chave do Reino dos Céus (Mt 16, 16-19); Cristo intercede pela intenção específica do demônio em desviar Pedro (Lc 22, 31-32); Jesus chama a atenção de Pedro em primeiro lugar quando este dorme em vigília (Mt 26:40; Mc 14:37); consegue a trina confissão de Amor maior da parte de Pedro (Jo 21, 15-17); embora os 12 possam, após a ressurreição, Jesus diz só a Pedro que apascente o rebanho (Jo 21, 15-17); Pedro é o primeiro dentre os apóstolos a ver Jesus ressuscitado particularmente (1.ª Cor 15:4); confia-lhe as questões mais polêmicas do início do cristianismo (veremos mais adiante)…. Pedro escreve duas Cartas Apostólicas.

É claro que todos os discípulos tinham certa autoridade (Mt 18, 1.18), mas destes 72 (Lc 10:1), ficaram doze apóstolos com missão específica (Mc 3, 13-19; Lc 9:2; Lc 22, 29-30; CIC 551). Dos doze, três ficavam mais à frente, os três primeiros a serem chamados para fazerem parte dos 12 apóstolos (Mc 3, 16-17; 13:3), sendo declarados como as colunas da Igreja e filhos do trovão (Mc 3:17): Pedro, Tiago e João (Gl 2:9; Mc 5:37 ). Eles presenciaram o Cristo no sofrimento e o Cristo na Glória (Mc 9, 2ss; 14:33ss). Tiago fala em segundo, no Concílio de Jerusalém, após Pedro, apenas para confirmar suas palavras (At 15:13), Paulo vai a sua casa para uma reunião com anciãos, pois, Pedro provavelmente não estava em Jerusalém (At 21:18); Tiago também vê Cristo ressuscitado particularmente mas somente após Pedro já tê-lo visto primeiro (1.ª Cor 15:7). Tinha seus representantes também (Gl 2:12) e escreveu uma Carta Apostólica. Dos três, João Evangelista é o que escreveu mais: O quarto Evangelho, três cartas apostólicas e o Apocalipse.

Mas, destes três, ficou claro que Pedro tem destaque maior na responsabilidade (Mt 16:19): “No Colégio dos doze, Simão Pedro ocupa o primeiro lugar (Mc 3:16; 9:2; Lc 24:34). JESUS confiou-lhe uma missão única.” (Mc 3:16; 9:2; Lc 22:32; 24:34; CIC 552). Vemos em Pedro uma autoridade clara em Nome de Cristo. São Pedro resolveu sim, à Luz do Espírito Santo, as questões mais importantes e polêmicas de sua época quanto ao Cristianismo: Toma iniciativa na escolha do substituto de Judas Escariotes (At 1, 15-26); explica o Pentecostes (At 2, 14-41); decide a questão do consumo de animais considerados impuros (At 10, 9-16); decide a favor da pregação e unção aos pagãos (At 10, 44-48; 11:1); após polêmica põe ordem e define a questão sobre a circuncisão dos recém-convertidos ao Cristianismo (At 15, 1.7-29)… Pedro foi questionado apenas quanto a comportamento (Gl 2, 11-14), assim como São Francisco questionou o certo comportamento do Papa de sua época e não foi para a fogueira. Porém, quanto a decisões doutrinárias não houve quem questionasse Pedro. O máximo que houve foi uma palavra de Tiago no Concílio de Jerusalém, mas, apenas para confirmar o que Pedro já tinha falado, e faz um acréscimo como coluna da igreja, repetindo as orientações de Paulo. São Paulo orientava em vários casos, mas, sempre se dizia ser o menor dos apóstolos e que nem merecia ser chamado de apóstolo (1.ª Cor 15:9). Em casos mais críticos, como o da circuncisão de novos cristãos, São Paulo consultou os Apóstolos, e fez questão de conhecer Pedro, chamado Cefas (At 15, 1-2; Gl 1:18). Pois, dependendo dos questionamentos, sempre houveram os Concílios para ser definida a doutrina, onde todos opinam mas a decisão final cabe ao líder da Igreja em Cristo. Pedro e os papas, são servos de Deus, não são deuses: “…o papa está associado a cada celebração da Eucaristia em que ele mencionado como sinal e servidor da unidade da Igreja…” (CIC 1369).

A passagem de Mt 16 é clara, Jesus se dirige a Simão, diz que ele é Pedra, e sobre aquela pedra seria edificada a Sua Igreja. Entenda-se isso como autoridade em Cristo. Vale ressaltar que Jesus diz “a minha igreja”, ou seja, uma igreja, e não várias igrejas. E é Dele não de uma outra pessoa. Cristo mandou ir evangelizar, os apóstolos fundavam igrejas, mas, igrejas ligadas à raiz. Ninguém ousava fundar uma outra sem conhecimento e permissão dos apóstolos. E nem por motivos humanos como: discordâncias, decepções, política, questões financeiras… nada disso!

“…E as portas do inferno não poderão vencê-la…” – Ou ‘potências da morte’, em algumas traduções. Isso é uma promessa de proteção à Sua Igreja. O mal pode até abalar a Igreja mas não pode vencê-la! É Jesus Cristo Quem garante. É inútil pensar que alguém ou algum poder poderá exterminá-la.

“…Dar-te-ei as chaves do Reino dos Céus…” – Jesus diz a Pedro que está confiando nele. Você só entrega a chave de sua casa a quem você confia. A partir de Pedro, em Cristo, a porta se abre ou se fecha. Ele teve que decidir muitas questões do início do Cristianismo. Somente Pedro recebeu do Cristo as Chaves do Reino dos Céus. A Autoridade sobre a Igreja, que é sinal do Reino de Deus na terra, em Nome de Cristo (Mt 16:19; Jo 21, 15-17; Mt 18:18; CIC 553). O Pai falou pela última vez através do Filho, e o Filho fala pelos Seus apóstolos e profetas, pois, o próprio Jesus diz: “Quem vos ouve [aos apóstolos] a Mim ouve, quem vos rejeita, rejeita o Filho e ao Pai” (Lc 10:16). Pedro recebeu em Nome de Cristo autoridade das chaves, e as usou muito bem nas várias questões vistas acima. Quem o ouviu, ouviu ao Cristo!”… A Igreja é una pelo Seu fundador…o próprio Filho de Deus feito homem.” (CIC 813). A Igreja Católica prega, como disse, que Cristo é o fundador único, e que Ele fala pelos seus Apóstolos, de forma especial falou por Céfas (Pedra-Pedro). Mas, aqui vem uma questão protestante: ‘Os apóstolos da Igreja Católica Apostólica Romana são falsos apóstolos, pois, ensinam doutrinas mentirosas!!!’ Bem, já estamos vendo claramente ao longo deste estudo, se a Igreja Católica está mentindo ou não.

“…Tudo que ligares na terra, será ligado no céu, e tudo que desligares na terra será desligado no céu…” – Ligar ou desligar, no sentido hebraico, é permitir ou não permitir algo. É autoridade! Os doze apóstolos estavam à frente da Igreja (quem vos ouve, ligar e desligar), destes, três tinham uma responsabilidade maior: Pedro, Tiago e João, pois eram chamados de colunas da igreja, como já vimos. Destes três, Pedro se sobressai claramente. Ninguém exerceu mais esta autoridade em Cristo do que Pedro. Em Mt 16, Jesus sempre fala na 2.ª pessoa do singular (Tu), deixando claro que está se referindo a Pedro em especial, e não a todos os apóstolos (vós) na ocasião. Mas diante do protestantismo alguém poderia se perguntar: “A autoridade da Igreja Católica pode ser tirada, segundo Lc 20:16? Em Lc 20:16 Jesus fala exclusivamente aos judeus, que ao rejeitarem Jesus como o Messias, perdem a graça maior, que é dada aos cristãos, os quais reconhecem Jesus como Messias, Senhor e Salvador. Mas, de forma indireta, se os cristãos se acomodam, Cristo pode permitir que não-cristãos tenham vez temporariamente e por locais. Pois, onde faltam profetas de Cristo, falsos profetas vão proliferar. Mas, nunca a autoridade da Igreja será tirada de vez, porque é garantia de Cristo: as portas do inferno não poderão vencê-la. Mas como Jesus pode dar autoridade a Pedro e logo depois chamá-lo de satanás (Mt 16:23)? Quando Jesus diz “afasta-te de mim satanás” quando Pedro afirma não querer que Ele seja crucificado, Ele não está se dirigindo a a pessoa de Pedro, mas, a presença de satanás que colocou este pensamento no apóstolo, pois, Cristo não sendo crucificado, não seríamos regatados pelo Seu Sangue segundo o Plano de Deus.

Continua…

Aula por : Emerson.

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