Dia do Senhor: origem pagã?

Publicado: 18 de novembro de 2010 por Rafasoftwares em Perguntas que merecem respostas

Devido a vários de comentários de leitores adventistas que ando recebendo no blog e a minha impossibiblidade de poder responde-los um a um, devido ao pouco tempo que tenho com trabalho e faculdade, vou respondê-los de forma genérica, postando matérias com explicações. Segue uma matéria do Veritatis.

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Introdução

Depois que publicamos nossos artigos anteriores (parte Iparte II) sobre a questão do Dia do Senhor, muitos amados irmãos adventistas nos enviaram mensagens, ora procurando mais esclarecimento sobre as questões, ora procurando defender a tese sabatista da guarda do Sábado. Desta forma, a motivação deste terceiro opúsculo sobre o tema é colocar mais luz sobre este assunto, procurando esclarecer suas objeções.

A Carta de São Paulo ao Colossenses

O grande espinho (cf. Pr 26,9) que se encontra na boca dos sabatistas está os seguintes versículos da carta de São Paulo aos colossenses:

Ninguém, pois, vos critique por causa de comida ou bebida, ou espécies de festas ou de luas novas ou de sábados. Tudo isto não é mais que sombra do que devia vir. A realidade é Cristo” (Cl 2,16-17).

Os sabatistas alegam São Paulo ao usar a palavra “sábados” não está se referindo ao sétimo dia, mas aos “sábados cerimoniais”. Como já dissemos em nosso trabalho anterior, São Paulo escreveu esta carta no grego, onde a palavra” sábados” corresponde a “sabbaton“.

Excluindo a carta de São Paulo aos colossenses, a palavra grega “sabbaton” parece no NT 67 vezes e em 61 versículos.

Nestas 67 vezes ela possui apenas dois significados:

1)       Em 9 delas a palavra significa “semana”, como por exemplo, em Mt 28,1. A expressão “primeiro dia da semana” é escrita em grego como “mia sabbaton“. No grego toda vez que “sabbaton” é precedida de um numeral ordinal, ela tem o significado de semana;

2)       Em TODAS as 58 vezes, “sabbaton” significa o sétimo dia, isto é, o dia de descanso (cf. Mt 12,1; Mc 1,21; Lc 4,16; Jo 5,9; At 1,12).

Na Carta de São Paulo aos Colossenses “sabbaton” se enquadra no segundo caso, isto é, significa o sétimo dia da semana, o sábado semanal.

Ora, se em 58 referências a palavra “sabbaton” refere-se à observância do sábado semanal, por que em Cl 2,16 não?

A teologia sabatista simplesmente fere todas as regras de exegese e hermenêutica bíblicas em favor de um argumento teológico. Isto é distorcer as Escrituras.

Os chamados “sábados cerimoniais” eram os dias de festa (“heorte“, as comemorações mensais) e as luas novas (“noumenia“, as comemorações anuais). “Sabbaton” não tem nada haver com tudo isto, e nem com os sacrifícios no Templo, mas com o dia de Sábado, o dia semanal, o dia de descanso.

Ora, se São Paulo não está ser referindo à observância do sétimo dia, por que então relacionou “sabbaton” à lista das observâncias judaicas que deveriam ser esquecidas pelos Cristãos?

Mas qual é o argumento teológico o qual os sabatistas tanto se prendem para aplicar à palavra “sabbaton” de Cl 2,16 um sentido que ela não tem?

A suposta divisão da Lei mosaica em lei cerimonial e lei moral

Os sabatistas dividiram a Antiga Lei dos Judeus em duas: cerimonial e moral. Onde a lei moral foi proferida por Deus, escrita pelo dedo Deus em tábuas de pedra e colocada dentro da Arca da Aliança; por isso deverá permanecer firme para sempre, não foi destruída por Cristo na Cruz. Ainda segundo eles, a lei cerimonial foi ditada por Moisés, escrita por Moisés num livro, nada aperfeiçoou, foi posta ao lado da Arca; por isso é revogável, foi cravada na cruz.

Eles referem-se aos Dez Mandamentos como lei moral e ao restante como lei cerimonial.

A resistência deles quanto ao ensino de Paulo em Cl 2,16, deve-se por acreditarem que nenhuma letra dos dez mandamentos foi revogada por Cristo, onde a observância do Sábado é o quarto.

Não negamos que em todas as observâncias divinas existe uma Lei Moral, que tem seu núcleo dos Dez Mandamentos. O problema apresentado pela teologia sabatista é que esta faz uma divisão arbitrária da letra, como se não houvesse moral nos ensinamentos mosaicos ou dos profetas.

Todo cerne desta questão se deve a duas coisas: 1) a falsa não distinção entre as observâncias divinas: decálogo, lei mosaica e os profetas 2) a verdadeira distinção entre a letra e o espírito destas observâncias.

Sobre o primeiro item, dizemos que todas as observâncias judaicas foram dadas por Deus, e por isso, todas elas foram recebidas com igual reverência, como um único conjunto coeso. Isso é testificado no Êxodo: “O Senhor disse a Moisés: ‘Sobe para mim no monte. Ficarás ali para que eu te dê as tábuas de pedra [10 mandamentos], a lei [Torah escrita] e as ordenações [Torah oral] que escrevi para sua instrução’” (Ex 24,12).

A distinção que os sabatistas forçam entre o Decálogo (os Dez Mandamentos) e a Torah (Lei de Moisés), não é fruto do pensamento judaico comum:

O Talmude, a propósito de um ponto em discussão, lembra: ‘A lei mandava recitar todos os dias os dez mandamentos. Por que não os recitam mais, hoje? Por causa das maledicências dos minim [os dissidentes]; para que estes não possam dizer: ‘Estes somente foram dados a Moisés, no Sinal’ (Talmud Jer. Berakot 1 ,3c). Segundo estes minim, Deus só pronunciou os dez mandamentos (Dt 5,22); as outras leis são atribuídas a Moisés. A recitação diária do decálogo, na oração comunitária, favorecia indiretamente esta idéia de que provocava certo desprezo pelas outras leis. A fim de evitar este mal-estar,o judaísmo ortodoxo – talvez nos círculos de Iabne [ou Jâmnia], no fim do século 1 d.C. -suprimiu do serviço sinagogal cotidiano a recitação do decálogo” (LOPES, 1995).

Conforme lemos, a distinção proposta pelos sabatistas foi condenada pelos próprios judeus. Mas os sabatistas ensinam que Jesus revogou a lei na cruz, porque esta estava fora da Arca da Aliança.

Note que quando o jovem rico perguntou a Cristo “Mestre, qual é o grande mandamento na lei?” (Mt 22,36), Jesus não lhe perguntou: “qual lei” A moral ou cerimonial?; tão pouco lhe disse: “você está falando dos Dez mandamentos ou da Lei de Moisés ou dos Profetas?”.

Ao contrário, o Evangelista nos relata que “Respondeu Jesus: Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma e de todo teu espírito. Este é o maior e o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás teu próximo como a ti mesmo. Nesses dois mandamentos se resumem toda a lei e os profetas” (Mt 22,37-40).

Ora, foi o próprio Cristo que resumiu todo o ensinamento do AT nas palavras acima. Perceberam isso? Toda a lei e os profetas, o Senhor resumiu em duas grandes ordenanças. A primeira delas encontramos no Deuteronômio: “Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças” (Dt 6,5). A segunda está no Levítico: “Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo: mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor” (Lv 19,18).

Com efeito, estas duas ordenanças fazem parte do Livro que foi colocado do lado de fora da Arca da Aliança: “Tomai este livro da lei, e ponde-o ao lado da arca da aliança do SENHOR vosso Deus, para que ali esteja por testemunha contra ti” (Dt 31.26). Entretanto, se a tese dos sabatistas estivesse correta, Jesus ao responder ao jovem rico, escolheria dois itens do decálogo e não da Lei Mosaica; ou ainda; poderia dizer ao Jovem que o que importava eram os Dez Mandamentos porque estavam dentro da Arca.

O próprio Cristo ensinou que não veio revogar a lei ou os profetas (cf. Mt 5,17-18). Com efeito, nos capítulos 5 a 7 do Evangelho segundo São Mateus, encontramos a catequese do Senhor sobre a Lei, isto é, o que a Lei realmente ensina. Aí, o Senhor, restaura o verdadeiro sentido de todas as observâncias dadas no AT. Esta sim é a verdadeira Lei Moral, que na belíssima exposição do Senhor se resume nos dois grandes mandamentos recomendados ao jovem rico (cf. Mt 22,37-40).

É esta Lei Moral que não foi revogada na Cruz, que possui seu núcleo no Decálogo, não na letra, mas no que Deus queria por ele ensinar. Conforme lemos no Êxodo: “O Senhor disse a Moisés: ‘Escreve estas palavras, pois são elas a base da aliança que faço contigo e com Israel’. Moisés ficou junto do Senhor quarenta dias e quarenta noites, sem comer pão nem beber água. E o Senhor escreveu nas tábuas o texto da aliança, as dez palavras” (Ex 34,27-28) (grifos meus).

Sendo a Arca o símbolo do Acordo de Deus e Seu Povo, e o Decálogo o núcleo de todo o ensinamento moral que Deus queria transmitir aos judeus, quis o Senhor que as tábuas com “as dez palavras” fossem postas dentro da Arca da Aliança, simbolizando assim a alma do pacto dentre o Senhor e Seu povo: o amor a Deus e ao nosso semelhante (cf. Mt 5,17-18).

O que Jesus revogou na Cruz?

Os sabatistas adoram dizer para nós que observamos o Domingo:” Onde Jesus diz que mudará o Sábado para o Domingo? Onde Ele autorizou tal mudança?”. Aí eu respondo: “no mesmo lugar onde Ele diz que revogará a Lei de Moisés”.

Nossos contendores dizem que o Decálogo é irrevogável pelas razões que já apresentamos -, e por isso o Sábado é irrevogável. Ora, ordenanças como os sacrifícios do Templo, as observâncias dos dias de festa e luas novas e o Grande Dia da Expiação, por exemplo, foram dadas pelo próprio Deus como irrevogáveis (cf. Lv 23,14; Lv 16,29-34; Ez 46,14; 2Cr 2,4). Então por que os sabatistas não as observam?

Com efeito, o Profeta Isaías testemunha que toda Lei é irrevogável: “A terra foi profanada por seus habitantes, porque transgrediram as leis, violaram as regras e romperam a aliança eterna” (Is 24,5).

Antes que alguém se confunda, achando que estamos defendendo para os nossos dias, a observância da Lei de Moisés, a questão será esclarecida pelas palavras de São Paulo:

Não há dúvida de que vós sois uma carta de Cristo, redigida por nosso ministério e escrita, não com tinta, mas com o Espírito de Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, em vossos corações” (2 Cor 3,3) (grifos meus).

Aqui São Paulo ensina que a lei que os fiéis trazem em seu coração é mais excelente que a lei que foi escrita em “tábuas de pedra“. Ora, que lei mais excelente é esta? É o Santo Evangelho pregado pelos apóstolos (“sois uma carta de Cristo, redigida por nosso ministério“) confirmado pela ação do Espírito Santo (“escrita, não com tinta, mas com o Espírito de Deus vivo“). Não é este um belo ensino para os guardadores das tábuas de pedra?

Então São Paulo continua:

Tal é a convicção que temos em Deus por Cristo. Não que sejamos capazes por nós mesmos de ter algum pensamento, como de nós mesmos. Nossa capacidade vem de Deus. Ele é que nos fez aptos para ser ministros da Nova Aliança, não a da letra, e sim a do Espírito. Porque a letra mata, mas o Espírito vivifica” (2 Cor 3,4-6) (grifos meus).

Percebam, amados no Senhor, que o que foi revogado na Cruz foi a letra da Lei e não o seu espírito, isto é, o que a Lei queria ensinar. Por isso Jesus, disse que não veio revogar a Lei, mas dar-lhe seu fiel cumprimento (cf. Mt 5,17-18). Por isso, o Cristianismo é o fiel cumprimento do Judaísmo, não segundo a letra, mas segundo o Espírito.

São Paulo ainda tem outro recado os observadores das tábuas de pedra:

“Ora, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu de tal glória que os filhos de Israel não podiam fitar os olhos no rosto de Moisés, por causa do resplendor de sua face (embora transitório), quanto mais glorioso não será o ministério do Espírito! Se o ministério da condenação já foi glorioso, muito mais o há de sobrepujar em glória o ministério da justificação! Aliás, sob esse aspecto e em comparação desta glória eminentemente superior, empalidece a glória do primeiro ministério. Se o transitório era glorioso, muito mais glorioso é o que permanece!” (2 Cor 3,7-11).

Não é este evento referido por São Paulo que encontramos no livro do Êxodo? Vamos conferir:

Moisés ficou junto do Senhor quarenta dias e quarenta noites, sem comer pão nem beber água. E o Senhor escreveu nas tábuas o texto da aliança, as dez palavras. Moisés desceu do monte Sinai, tendo nas mãos as duas tábuas da lei. Descendo do monte, Moisés não sabia que a pele de seu rosto se tornara brilhante, durante a sua conversa com o Senhor. E, tendo-o visto Aarão e todos os israelitas, notaram que a pele de seu rosto se tornara brilhante e não ousaram aproximar-se dele” (Ex 34,28-30) (grifos meus).

Vejam, amados do Senhor, São Paulo chama as ordenanças do Decálogo de “ministério da morte”, “transitório“, “ministério da condenação“, este que “em comparação desta glória eminentemente superior, empalidece a glória do primeiro ministério”. Por acaso São Paulo está ensinando que o Decálogo é irrevogável como crêem os sabatistas?

Desta forma, o que o Senhor Jesus aboliu na Cruz do Calvário (cf. Cl 2,14) foi a letra de todas as ordenanças do AT e não seu espírito, o que incliu o Decálogo.

A verdadeira Lei Moral, conforme ensinada por Cristo (cf. Mt 5-7) tem seu fiel cumprimento e excelência na Fé Cristã, na pregação dos Apóstolos, corroborando com as Santas Palavras do Salvador, que afirmou que traria a Lei à perfeição (cf. Mt 5,17).

Permita também a Misericórdia Divina que nossos contendores percebam que o “descanso Sabático” referido na carta aos Hebreus, não se trata da observância do Sábado semanal, mas do descanso do Justos que morreram na amizade do Senhor.

Ceia do Senhor, cerimônia de adoração a Deus

Todos os sabatistas reconhecem que a “Ceia do Senhor” era observada no primeiro dia da Semana, isto é, Domingo. Eles imaginam que esta ceia era uma mera reunião gastronômica, uma espécie de refeição comunitária entre os fiéis.

Ora, a advertência paulina contra este tipo de pensamento é exatamente o tema do Capítulo 11 de sua primeira carta aos Coríntios: “Desse modo, quando vos reunis, já não é para comer a ceia do Senhor” (1 Cor 11,20).

Muitos cristãos iam só para comer e beber, e São Paulo os repreende ensinando que a “Ceia do Senhor” não é uma mera refeição, conforme atestamos nos versículos abaixo:

porquanto, mal vos pondes à mesa, cada um se apressa a tomar sua própria refeição; e enquanto uns têm fome, outros se fartam. Porventura não tendes casa onde comer e beber? Ou menosprezais a Igreja de Deus, e quereis envergonhar aqueles que nada têm? Que vos direi? Devo louvar-vos? Não! Nisto não vos louvo…” (1 Cor 11,21-22) (grifos meus).

Toda vez que participamos de um almoço comunitário o objetivo é comermos e bebermos na presença dos irmãos. Mas São Paulo deixa muito claro que a “Ceia do Senhor” não é um almoço comunitário.

Com efeito, antes destes versículos, São Paulo dá várias instruções de como os fiéis devem se portar na celebração cristã de Culto ao Senhor. Após os versículos 20 a 22 fica mais que claro que o Apóstolo fala da celebração Eucarística, isto é, o oferecimento do Sacrifício de Cristo sob as espécies do pão e do vinho e a comunhão destas espécies entre os fiéis, tal como Jesus ensinou:

Então Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai que me enviou vive, e eu vivo pelo Pai, assim também aquele que comer a minha carne viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu. Não como o maná que vossos pais comeram e morreram. Quem come deste pão viverá eternamente. Tal foi o ensinamento de Jesus na sinagoga de Cafarnaum” (Jo 6, 53-59) (grifos meus).

Uma reunião entre fiéis, que possui ministro, manifestação do Espírito Santo, cânticos, leituras, comunhão do Corpo e Sangue do Senhor, isso por acaso se parece com um almoço comunitário?

A associação da “Ceia do Senhor” como celebração de culto de adoração a Deus é mais que evidente na primeira carta paulina aos Coríntios. Mas para isto os sabatistas fazem vistas grossas.

É ponto pacífico entre todos os cristãos,  imagino – que a “Ceia do Senhor” se dava no primeiro dia da semana.

O Testemunho dos Santos Mártires

Os sabatistas dizem antes do Concílio de Nicéia (325 d.C.) a Igreja Cristã era pura e sem mácula e que Constantino paganizou a Igreja, começando pela institucionalização do domingo como dia de Culto.

A tese deles é desmascarada quanto trazemos ao conhecimento público, textos anteriores a este período que testificam a associação comprovada nas cartas paulinas: Ceia do Senhor + Culto de Adoração + Primeiro dia da semana (ver a parte I deste artigo). Note o leitor que os textos trazidos à tona, não são casos isolados, mas são textos escritos pelo punho dos próprios discípulos diretos dos Apóstolos: Inácio de Antioquia, Policarpo de Esmirna, Pápias de Hierápolis, Clemente de Roma e etc.

Quando apresentamos seus textos, os sabatistas alegam que eles traíram seus mestres e adotaram doutrinas pagãs.

Ora, todos eles foram homens célebres e amados pela cristandade antiga, devido à sua grande fidelidade à Doutrina que receberam dos apóstolos, todos eles, sem exceção foram mortos por causa do Evangelho, exatamente porque não queriam confessar a doutrina do Império Romano. Como pode então, os sabatistas imputarem a estes heróis da Fé, a adoção de doutrina pagã?

Os sabatistas não conseguem apresentar nenhuma prova material de suas teses. Não conseguem trazer a público um único texto dos quatro primeiros séculos, de autoria de um dos discípulos dos apóstolos ou dos discípulos de seus discípulos, que corrobore seus argumentos. Com efeito, uma maneira de provar que os mártires acima citados traíram seus mestres (os apóstolos) é apresentando textos de outros discípulos dos apóstolos, que testifiquem a guarda do Sábado. Mas os sabatistas são incapazes de fazê-lo.

Primitivos cristãos: sabatistas ou judaizantes?

Quanto ao texto dos antigos cristãos, o máximo que os sabatistas fizeram até hoje é referir-se a textos de Epifánio de Salaminca (séc. III) e Santo Agostinho (séc. V), onde os mesmos referem-se a existência de cristãos que guardavam o Sábado.

Com efeito, não só eles, mas outros célebres cristãos da antiguidade (Cipriano de Cartago, Atanásio de Alexandria, São Jerônimo, Fílon de Alexandria, Orígines, etc), fizeram tal referência, nos informando também que estes cristãos também guardavam a Lei Mosaica. Estamos falando de cristãos judaizantes e não de cristãos sabatistas.

Este grupo tem origem naqueles “da parte de Tiago” (cf. Gl 2,12) que não aceitaram as determinações do Concílio de Jerusalém (cf. At 15-16). Como podem ser eles a verdadeira Igreja, os verdadeiros cristãos, os remanescentes?

A falsa associação do Domingo cristão com o paganismo

Teimam em insistir que o Domingo tem origem pagã, só porque este era o dia do deus Sol, dos pagãos. É mesma coisa se eu afirmasse que o Sábado em origem na adoração de Saturno, embora muitas provas mostrem o contrário. Contra os sabatistas, traremos o testemunho do advogado cristão Tertuliano, que viveu a mais de cem anos antes do Concílio de Nicéia:

Outros, de novo, certamente com mais informação e maior veracidade, acreditam que o sol é nosso deus. Somos confundidos com os persas, talvez, embora não adoremos o astro do dia pintado numa peça de linho, tendo-o sempre em sua própria órbita. A idéia, não há dúvidas, originou-se de nosso conhecido costume de nos virarmos para o nascente em nossas preces. Mas, vós, muitos de vós, no propósito às vezes de adorar os corpos celestes moveis vossos lábios em direção ao oriente. Da mesma maneira, se dedicamos o dia do sol para nossas celebrações, é por uma razão muito diferente da dos adoradores do sol. Temos alguma semelhança convosco que dedicais o dia de Saturno (Sábado) para repouso e prazer, embora também estejais muito distantes dos costumes judeus, os quais certamente ignorais” (Tertuliano 197 d.C. Apologia part.IV cap. 16).

Como vimos, Tertuliano testifica que a da guarda do primeiro dia da semana pelos cristãos, possui motivo próprio e muito diverso dos pagãos: “Da mesma maneira, se dedicamos o dia do sol para nossas celebrações, é por uma razão muito diferente da dos adoradores do sol”.

Não é estranho que a mesma Igreja que deu mártires a Deus, exatamente porque não se curvou à religião do Império, tenha aceitado “sem piscar os olhos” uma observância pagã? Será mesmo que a Igreja no MUNDO INTEIRO tenha traído tão facilmente a doutrina dos apóstolos, como alegam nossos contendores?

Conclusão

Acredito que este terceiro opúsculo, juntamente com os outros dois anteriores, tenha tratado sobre o Dia do Senhor de forma satisfatória.

Muito simples é a apresentação de um argumento teológico com aparente suporte bíblico, até os Espíritas fazem isso em seu “Evangelho segundo o Espiritismo“.

Ora, pode haver fonte mais segura sobre a pregação dos apóstolos do que o testemunho de seus discípulos pessoais, aqueles que ouviram a pregação de sua própria boca? Homens estes que devido à tamanha fidelidade à doutrina recebida de seus mestres, morreram por amor a Cristo? Eu creio que não e cada um faça seu próprio juízo.

Esta é a diferença entre a apologética objetiva e sóbria daquela baseada em faltas conjecturas, atropelamento das regras de hermenêutica e exegese bíblicas associado a uma total falta de prova material que corroborem suas teses.

Referências Bibliográficas

LOPES, Félix Garcia. O Decálogo. São Paulo: Paulus, 1995. p. 35.

Fonte : Veritatis Splendor.

Autor : Alessandro Lima

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comentários
  1. […] artigo explicativo, extraído do blog  sadoutrina,  sobre o sábado […]

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